Twittess, Mirian Bottan e Aline Lii na VIP de julho

E o Twitter vira fonte de diversão para adultos heterossexuais!

Tessália Serighelli, Mirian Bottan e Aline Liii, três das garotas mais seguidas/comentadas/gatas da twittosfera, são estrelas de um ensaio da revista VIP, da editora Abril, de julho. A publicação chega às bancas nesta sexta-feira (26). Mirian e Aline foram fotografadas em São Paulo por Fausto Roim; Tessália foi clicada no Rio em Curitiba por David Peixoto.

Não posso contar exatamente como se deu a seleção das uma estratégia de negociação de ações três para o ensaio, mas cheguei a sugeri-las para a redação.

Em breve, as fotos por aqui.

(quatro dias depois) ATUALIZAÇÃO

Eis Aline Lii em uma foto feita no ensaio mas que acabou não entrando na edição impressa (na revista há outras imagens inéditas da moça):

Peguei lá no Desculpe a Poeira, ótimo blog do Ricardo Lombardi, diretor de redação da VIP.

É preguiça E falta de tempo - 1

Admito: não dá para dizer que estou sem tempo porque minhas férias começaram há duas semanas. Mas, como tem acontecido com frequência desde, hum, dezembro de 2006, minha vida foi mais chacoalhada que bunda de mulher-fruta nos últimos dias. Uma delícia que me deixou sem fôlego para comentar coisas como…

… a nova revista SET. Editada por Roberto Sadovski até abril deste ano, a publicação de cinema mais tradicional do país mudou de mãos com a compra da editora Peixes pela CBM de Nelson Tanure. A nova SET, que ficou sem circular em maio, passa a ser capitaneada por um time do Jornal do Brasil (que também pertence à CBM). Mario Marques é o publisher e Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun são os editores. A revista chega às bancas em 5 de junho com “O Exterminador do Futuro: A Salvação” na capa. O sempre bom de ler Pedro Butcher é um dos novos colunistas. Não folheio a SET desde a edição de dezembro de 2003 - “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”  - e não gostava da linha “peido de super-herói vale capa”, mas a revista esteve tão ligada à minha adolescência nerd que espiarei a versão nova nem que seja para abandoná-la melancolicamente logo depois.

***

Falando em melancolia e mortos-vivos, assisti à “Exterminador do Futuro: A Salvação” na última sexta (estreia prevista para o dia 5 aqui no Bananão). Única surpresa é que o picotador-freak McG agora tenta fazer planos-sequência à la Joe Wright que resultam desajeitados e desnecessários (pense nisso se você notar que há algo de estranho na cena do helicóptero, logo no começo, e não entender bem o porquê). Christian Fucking Bale incorpora de vez a hilariante voz rouca de seu Batman, Helena Bonhan Carter faz a ponta mais constrangedora de sua carreira, Bryce Dallas Howard nos deixa morrendo de saudades de “A Vila” e só Sam Worthington salva. Vai dar um bom protagonista para “Avatar”, o sujeito. O trailer entrega a reviravolta do personagem do cara, única ideia realmente interessante e nova dessa continuação que ignora o bom terceiro filme da série.  De resto, espere por referências tristonhas aos dois primeiros longas (na trilha, nas frases de efeito e em uma bizarra “participação especial”) e por uma chuva de novos terminators - aquáticos, voadores, em forma de moto, gigantes  - capaz de entediar até adolescentes. Porque eles querem mesmo é ver “Transformers 2″ (cof cof eu também cof cof).

Guentae que já já tem mais.

@twittess is now following you on Twitter

A curitibana Tessalia Serighelli de Castro tem 21 anos (22 a partir do próximo dia 11), uma filha (Tina, 3 anos) e uma conta com mais de 12 mil seguidores no Twitter, o que a coloca entre os 10 brasileiros mais populares na ferramenta. Se você tem um perfil por lá, é possível que, nas últimas três semanas, tenha recebido o e-mail “@twittess is now following you on Twitter” em sua caixa de entrada.

Tessalia passou a usar o Twitter com mais afinco há pouco tempo. Quase ninguém a conhecia. Mas, desde 13 de março, ela tem adicionado centenas de perfis por dia ao seu perfil. Ela conta que, no começo, fez o serviço na mão. Depois, passou a experimentar “aplicativos” que fazem o trabalho sozinho (como este script criado por Danilo Salles).

Sair adicionando centenas de perfis a esmo não é uma estratégia nova para ganhar popularidade rápida no Twitter. Mas, no caso de Tessalia, a tática parecia ainda mais pensada: a foto do perfil revela uma mulher jovem e inegavelmente atraente; o background é trabalhado; a esmagadora maioria dos updates são replies (um verdadeiro tweetchat) e aqueles que não os são contêm links para vídeos ou notícias curiosas e amenidades.

Em cerca de três semanas, Tessalia conseguiu mais seguidores que Kibe Loco, quase o mesmo que Rosana Hermann (que tem experimentado o script de Danillo Salles e escreveu a respeito em seu blog) e um pouco menos do que o humorista Danilo Gentili. O número de pessoas que ela segue é superior ao número de pessoas que a seguem (diferença de 1000, aproximadamente; o que, óbvio, indica que nem todo mundo caiu na tática).

(Os dados servem só para o  domingo, 5 de abril de 2009 - os números devem mudar rapidamente)

Em sua descrição, ela diz que passa 18 horas por dia online. Tessalia trabalha em uma agência de publicidade, cria uma filha e, ainda assim, twitta freneticamente. Sua popularidade foi conquistada tão rapidamente, e de maneira tão “artificial” (aspas, por favor), que suspeitar da veracidade de seu perfil parece ordem.

Seria uma ação para um especial “ninfeta nerd” da Playboy? A introdução de uma nova apresentadora da MTV? Um experimento de algum analista de social media brincalhão que conhece pouco de Twittiqueta? Um marmanjo peludo com muito tempo livre, que se aproveitou de fotos e perfis no Facebook e Linkedin de uma Tessalia “real”?

Neste domingo (5), no Twitter, perguntei se Tessalia toparia uma entrevista (aqui). Antes, havia ironizado – com alguma grosseria, assumo – a natureza do perfil da garota. Pedi uma entrevista com vídeo. Alguns replies depois, Tessalia me adicionou no GTalk.

Tessalia: Olá. Está ocupado agora?
Diego: Oi, Tessalia. Estou um pouco, mas podemos falar.
T: Tem alguma coisa que eu posso te responder, sem ser em vídeo?
Diego: Talvez. Mas é claro que o vídeo responderia milhares de perguntas de uma vez só. :) Por que você não quer abrir a câmera?
Tessalia: Estou de pijama, com o cabelo molhado, comendo macarrão em cima do Mac ;D

Mesmo assim, engatamos um papo logo depois. A íntegra da conversa está aí:

Você é de Curitiba?
Sou sim.

É que no seu perfil no Facebook eu vi São Paulo…
Pois é. Eu mudei de cidade três vezes nos últimos três anos. Mas sou daqui mesmo. Morei em São Paulo no ano passado.

Estudou por aqui?
Não, eu trabalhei um pouco por aí. Com fotografia. Fiz freelas, conheci o mercado de publicidade. Gostei. Quero voltar.

Você trabalha com publicidade hoje?
Sou redatora em uma agência de publicidade,

Em que agência?
Na CS Revue.

Você se lembra de quando começou a usar o Twitter?
Olha, uma vez vi um gráfico por aí. Eu tinha entrado em março! Mas eu não lembro ao certo. Foi ano passado, quando começou a onda entre a galera de comunicação.
Mas eu não usava.

Você fala do seu gráfico do Twitter Grader? Lá dá pra ver que rola uma “explosão” no número de pessoas que você segue a partir de 13/03.
É, fui adicionando bastante gente quando “descobri” o Twitter. Bem o tipo de coisa que a galera fez quando rolou o Orkut.  “Vou adicionar pra ver qual é”. Mas o máximo era dois mil. Então, fui em dois mil.

Você usou algum script pra adicionar tanta gente ao mesmo tempo?
Eu vejo todo dia aplicativo novo para Twitter. De tudo quanto é tipo. E experimento todos. Mas nem por isso sigo usando. É mais pra ver qual é, e poder contar pra galera.

E, nisso, você chegou a usar algum script?
Bom, eu não sei bem o que é um script ou não. Mas eu usei de tudo. Hahaha, parece depoimento de ex-drogado.

Mas deve ser humanamente impossível clicar em dois mil botões de ‘follow” em um dia só, não?

Ah sim. Tinha aplicativos pra seguir de volta quem segue você também, essas coisas. Mas, na verdade, do dia 13 ao dia 15, que foi quando eu adicionei os dois mil, foi na “hands” mesmo. Sigo de volta quem me segue. Isso é algo que a galera leva em consideração. @GOUP @interney e @julioyam fazem isso.

Na real, alguns deles começaram a fazer isso há pouco tempo. Uma questão que me intriga, já que antes eles tinham milhares de seguidores (mas menos do que hoje) e seguiam de volta um número bem menor de pessoas…
Mas acho que tem muita gente que faz isso. Visito muitos perfis diariamente, e tem muita gente que segue de volta. Mas não tendo uns posts legais, a galera não segue. Acho que foi inspirado em como o Twitter funciona lá fora. Pra você ter ideia, aqui enquanto conversamos na janela do GMail, tô vendo os novos seguidores. Foram 53.

Sua caixa de email deve estar dando trabalho.
Eu gosto de saber quem começa a me seguir. Tem gente de fora que segue, é legal e eles vêm falar comigo. Mas gosto de ver certinho quem tá me seguindo. Fiquei superfeliz quando o @lapena veio falar comigo. Mas tem uma coisa que eu não entendo…

O quê?
É como essa galera realmente pop tem tão pouco seguidor, e esses desconhecidos fazem tanto sucesso. O @lapena tem uns dois mil, e ele é o Hélio De La Peña! Tirando a galera do CQC, eles não têm tanta fama no Twitter. Podemos apressar o papo um pouquinho?

Claro, tudo bem.
Tenho que fazer lição de casa com minha filha…

Você tem uma filha?
Sim, a Tina. Tem 3 anos ^^ Tem foto dela no Flickr do Meadiciona do meu perfil, e eu tinha o Orkut lá também. Mas eu não uso muito. Estava ficando complicado, sabe.

Sei. E como é que você arranja tempo para passar 18 horas online twittando se tem uma filha e trabalha?

Bom, eu twitto sempre que acho alguma coisa legal, e trabalho no computador, fica mais fácil.

Não te desconcentra do trabalho?
Eu uso o TwitterFox, não desconcentra não.

E ser bastante seguida, entrar no top 10 do Brasil… Tem algum propósito maior nisso tudo?
Não, eu uso para me divertir e me informar. E assim, fico a par de como as coisas acontecem nas redes sociais, algo que me ajuda no trabalho. É divertido isso, de ter vários seguidores. È muito bom, na verdade. Se quero uma opinião, é só perguntar no Twitter, que tenho uma amostra ali. Pergunto sobre filmes, coisas de meninos, e posto o que vou achando. E tenho realmente seguidores convictos, que me dão bom dia e boa noite, e sempre respondem minhas “pesquisas”. É bem legal. Acho que se eles seguem, é porque gostam

As pessoas tendem a dar unfollow quando “experimentam” e não gostam.
Sim, também acho.

Mas você não teme ficar meio “queimada” com o fato de sair adicionando todo mundo, usando programas ou não? Muita gente encara como um tipo de spam.

Eu também “experimento” as pessoas. E continuo seguindo quem eu gosto. As pessoas têm liberdade, gostam ou não gostam. É questão de escolha. Aí vai se formando a rede de seguidores reais, mas com o tempo. Agora é tudo uma experimentação. Acho que o Twitter vai superar o Orkut. Mas aí são conversas mais filosoficas :P. Olha, eu preciso ir.

Tudo bem. A gente conversa mais depois, então.
Espero que tenha esclarecido um pouco as coisas pra você. Eu não sou fake, nem um marmanjo barbudo. Sou eu mesma nas fotos, e nunca usei nenhum programa pra postar por mim. Nem TweetLater. Eu gosto de eu mesma responder os replies.  ;)

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Fakes ou não, o surgimento de perfis como o de Tessalia, que crescem “artificialmente” (aspas, por favor), talvez jogue lama no conceito de “meritocracia informal” atribuído ao Twitter por alguns entendidos. Talvez, para ser seguido, basta só seguir. Talvez o conteúdo dos seus tweets não seja tão importante, afinal. Talvez, o trabalho de separar o joio do trigo (ou definir o que é joio e o que é trigo) na twittosfera dificulte planos de monetização da ferramenta. Talvez, como bem disse Tessalia, o pesadelo de muitos early adopters se materialize e o Twitter realmente se transforme em um novo Orkut.

Quem quer arriscar mais previsões no olho do furacão?

Não é preguiça, é falta de tempo 1: de Eduardo Coutinho ao Radiohead

Assisti hoje ao novo longa de Eduardo Coutinho, “Moscou”, em uma cabine do Festival É Tudo Verdade. Admiro o cineasta a ponto de ter feito de “Edifício Master” (2002) o tema do meu trabalho de conclusão de curso na graduação em Jornalismo. “Moscou” dá prosseguimento à investigação da mecânica da encenação que Coutinho começou - ou escancarou de vez - no maravilhoso “Jogo de Cena” (2007). Agora, em vez de encenar histórias de pessoas comuns, o diretor pega o texto clássico de “As Três Irmãs”, de Anton Tchecov, e o entrega ao Grupo Galpão de teatro. A meta é encenar a peça em um período de três semanas. Os olhos de Coutinho, mais uma vez, estão voltados para os ruídos dessa encenação (a equipe de filmagens não é ignorada em suas observações) e para a tensão criada entre as experiências pessoais dos atores (externadas em um exercício logo no começo do filme) e o texto de Tchecov.  Vira teatro filmado da metade pra frente, mas, dentro dos últimos trabalhos do cineasta, é uma sequência das mais naturais, lógicas e interessantes.

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Já viu o trailer de “Where the Wild Things Are” (ou “Onde os Monstros Estão”, no Brasil), novo filme de Spike Jonze?

É baseado num livro infantil americano, daqueles cheios de ilustrações, publicado em 1963. Jonze se uniu a Dave Eggers para escrever o roteiro e chamou o Lance Acord (”Maria Antonieta”, “Encontros e Desencontros”) para dirigir a fotografia. Eggers, vocês sabem, é aquele mala que fundou a finada revista “Might” e publicou uma (mais ou menos) autobiografia chamada “Uma Comovente Obra de Espantoso Talento” em 2000. Ganhou elogios de meio mundo, mas não conseguiu me comover com tanta autocomiseração. A prévia, ainda assim, é muito bonita e empolgante como um trailer deve ser. E usar “Wake Up”, do Arcade Fire, como trilha de fundo foi lance de gênio.

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Just a Fest São Paulo. Então. Meio tarde para comentar os shows, mas algumas impressões rápidas: 1) Los Hermanos: que esperassem mais dois anos para um retorno mais quente e com membros mais interessados no ofício. Deu pra berrar e se emocionar com “Último Romance”, mas Marcelo Camelo não conseguia disfaçar o incômodo (mal aí se gritei alto demais, Marcelo). Dizem que a banda levou uns R$ 250 mil pela apresentação - dinheiro mais fácil do século. Assisti com pessoas queridas, com quem eu ouvia a banda quando tinha uns 18, 19 anos, o que deu sabor menos amargo à coisa. 2) Kraftwerk: primeira vez que os vejo ao vivo. A Chácara do Jockey parecia grande demais para os quatro, mas foi bom assistir ao show antes que ele vire peça de museu (não falta muito, creio).  3) Radiohead: 30 mil pessoas em silêncio esperando “Exit Music”. 30 mil pessoas querendo mais “Paranoid Android”. 30 mil pessoas acompanhando os grunhidos de Thom Yorke na esquizofrênica “Idioteque”. Banda voltando feliz para um terceiro bis.  Acho que testemunhei um marco geracional. E, pela primeira vez, não me sinto culpado por utilizar tantos superlativos. (Para uma análise aprofundada, clique aqui. Para uma crítica contundente à organização porca do festival, aqui)

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Jonas Brothers. Bonzinhos, cristãos, virgens, inofensivos. Censura dos shows no Brasil: 14 anos. Oasis. Beberrões, cocainômanos, brigões, blasfemos. Censura dos shows no Brasil: 12 anos. Alguém entende?

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Entrevistei Marcelo Tas, apresentador do “CQC” para o Abril.com. Propus falar apenas sobre o Twitter e ele topou. Tas é um dos primeiros brasileiros a ser pago para twittar, promovendo o XTreme, serviço de banda larga via fibra óptica da Telefônica. Por conta disso, o cara foi bastante atacado por lá. Para ele, as reações são “… uma conversa de cachorro magro, de complexo de inferioridade, de quem não convive com a possibilidade do sucesso”. Desconfio que os ataques têm mais a ver com a péssima reputação da Telefônica do que com o pioneirismo da situação, mas vale ler o que ele tem para dizer antes de sair mostrando toda sua revolta dando unfollow por aí.

Oi Thom, você por aqui?

But I’m a creep

I’m a weirdo

What the hell am I doing here?

I don’t belong here

Faltam só três dias para um dos shows mais aguardados por mim desde sempre. Espero que Thom Yorke seja mais legal comigo no domingo do que fui com ele neste post.

(sugestão da Karen)

Milk - sem voz para a igualdade

 

O pastor evangélico e dublador profissional Marco Ribeiro se recusou a dublar Sean Penn em “Milk – A Voz da Igualdade” alegando que “não teve vontade” porque “tem a voz envolvida com outras questões”. O caso foi noticiado pela Folha de S. Paulo de ontem. 

A esta altura, todo mundo imagina o porquê. Harvey Milk, personagem que rendeu o segundo Oscar de Penn, é um dos baluartes do movimento GLBT norte-americano. Foi o primeiro homem assumidamente gay a ser eleito para um cargo político nos Estados Unidos, ainda na década de 70. 

A igreja Assembléia de Deus, da qual Marco Ribeiro é pastor, critica a homossexualidade como muitas outras igrejas pentecostais. A reportagem da Folha sugere que Ribeiro teria recusado o papel para, basicamente, não arranjar mais confusão com a igreja. Marlene Costa, diretora de dublagem, disse ao jornal:

“Primeiro ele aceitou, depois viu o que era o filme e achou melhor não fazer para não ter aborrecimento. Pediu-me mil desculpas, expôs os pontos de vista dele. Não é que [Ribeiro] tenha algo contra homossexuais, é que as pessoas ao seu redor confundem sua profissão de ator com o lado religioso”

 De fato, Ribeiro deve ter provocado o aborrecimento de boa parte da Assembleia com os personagens que já dublou. Vejamos alguns:

 

Stanley Ipkiss, o Máskara (Jim Carrey) – deus pagão propagador do caos 

 

Willie Stark (Sean Penn) - político corrupto de “A Grande Ilusão”

  

Austin Powers (Mike Meyers) - agente secreto e fornicador

No Twitter, cheguei a pensar que ele havia dublado Sean Penn em “Sobre Meninos e Lobos”, mas me enganei.

Mesmo assim, Ribeiro tem um currículo polêmico e tanto (para um pastor pentecostal). Uma lista mais completa, e admirável, dos trabalhos dele pode ser encontrada aqui

Diante desses personagens, é fácil entender a recusa de Ribeiro: dublar um ativista gay poderia ser visto, dentro da lógica de sua comunidade, como outra provocação, outro papel condenável, a cereja do bolo amassado pelo diabo. 

Mas por que o dublador resolveu recusar um papel só agora, em “Milk”? 

Voltemos ao filme. Como supervisor eleito em San Francisco, Harvey Milk conseguiu aprovar leis que garantiam direitos civis a homossexuais e chegou a estender sua área de atuação para fora da cidade, usando suas alianças políticas para combater o movimento conservador empreendido pela cantora cristã Anita Bryant. Entre outras coisas, Anita defendia a aprovação de uma lei que expulsaria professores gays dos colégios públicos norte-americanos. Não muito diferente da caça às bruxas promovida por Joseph McCarthy contra comunistas. 

O longa de Gus Van Sant pinta o protagonista com tintas messiânicas. Além de visto como um brilhante orador e articulador de alianças pró-gays, ele também é retratado (não sem alguma redundância) como salvador da vida de jovens homossexuais por todo o país. É assassinado de forma covarde e, inevitavelmente, torna-se mártir para todo aquele povo. 

Anita, por sua vez, é a antagonista, chegando ao público como uma vilã – talvez a maior das combatidas pelo personagem no filme. Ela fala em Deus e na Bíblia toda vez que tenta defender seu ponto de vista. As imagens da cantora são todas de arquivo, o que, além de provar que aquelas sandices realmente vieram da boca da mulher, dão a ela uma aura inatingível, superior (Milk nunca a encontra cara-a-cara). Anita é a “força do mal” mais poderosa do filme. A vitória do político na batalha contra a lei proposta por ela é o clímax do longa. 

E, se você tem mais de dois neurônios, já sacou faz tempo de que lado a igreja de Ribeiro estaria se estivesse no meio dessa batalha. 

Uma explicação para a pergunta que fiz anteriormente seria essa: em “Milk”, Ribeiro, mais do que dublar um homossexual, dublaria um personagem “bom” que enfrenta uma “vilã” que segue os mesmos preceitos que ele. A mesma reportagem da Folha de S. Paulo diz que, no site da Assembléia, Ribeiro se pronunciou contra “‘famílias modernas’ em que não há a figura do pai ou da mãe, ou em que essas figuras são substituídas por casais do mesmo sexo… isto não é modernidade, e sim uma distorção do que Deus disse sobre o que deveria ser a família”. 

É de se imaginar que participar de um filme (mesmo que apenas como dublador) que critica cristãos de maneira tão direta causaria uma dor de cabeça fenomenal ao pastor. Seria, acima de tudo, uma grande incoerência. 

But the plot thickens

Leia a lista com atenção e perceba que um ataque ao núcleo da fé cristã não pareceu ser um problema para que Ribeiro dublasse Robert Langdon (Tom Hanks) em “O Código da Vinci” (2003), como aconteceu. Na trama, Langdon basicamente descobre que o livro que guia a vida do pastor e de seu rebanho está recheado de mentiras. 

À época, cristãos do mundo todo se voltaram contra Dan Brown, o autor do livro em que o filme é baseado, propondo boicote às obras. Não seria errado dizer que “O Código Da Vinci” ataca ideais de católicos e evangélicos com mais veemência que “Milk”. 

(A informação de que Ribeiro dublou Hanks no longa consta em diversos outros sites. Uma rápida busca no Google a confirma) 

Com isso, volto à pergunta anterior: se um herege como Langdon não foi um problema, porque um ativista homossexual o seria? 

Queria muito saber em quais outras questões Ribeiro “envolveu sua voz” para aceitar dublar um pesquisador herege em 2003 e recusar um ativista gay em 2009. 

Marco Ribeiro é um dublador muito competente e respeitadíssimo no meio. Até agora, parecia comprometido com todos seus personagens. Talvez, ao longo desses anos, ele realmente tenha sido aporrinhado por fiéis e finalmente se cansado da perseguição que sofreu por dublar figuras tão “polêmicas”. 

Ou talvez, para um pastor evangélico, defender um homossexual orgulhoso, feliz e combativo seja ofensa maior que dublar um pesquisador que desautoriza sua fé. 

 A lógica desta última hipótese parece torta, mas a guerra empreendida por cristãos contra homossexuais sempre foi regida desta maneira. A razão nunca teve espaço em uma luta movida pela fé.

 Anita Bryant e seus discursos frágeis e risíveis que o digam.

Oscar 2009 - um balanço pretensioso

17 acertos em 21 apostas - nunca fui tão bem de palpites sobre vencedores do Oscar.

Fui traído pela certeza da vitória de Mickey Rourke, subestimei o poder de “Milionário” em mixagem de som, superestimei o roteiro original de “Na Mira do Chefe” e, como o mundo todo, errei o filme em língua estrangeira. Acertei filme, direção, ator coadjuvante, atriz, atriz coadjuvante, longa de animação, roteiro adaptado, direção de arte, fotografia, figurino, documentário - longa, montagem, maquiagem, trilha sonora, canção, edição de som e efeitos especiais.

Não que eu tenha estudado a fundo os candidatos e acompanhado de perto outras premiações. A resposta é mais simples, como observou o Chico: o Oscar 2009 foi absolutamente previsível na revelação dos vencedores. Só me peguei esboçando uma reação - qualquer reação - quando os japoneses subiram ao palco e, principalmente, quando Sean Penn venceu. Isso porque eu torcia por Rourke, mas sempre soube que Harvey Milk tinha tantas chances de vitória quanto Randy The Ram.

Esta deve ser a décima quinta cerimônia do Oscar que acompanho até o fim. Não chegou a ser a mais previsível de todas (alguém NÃO se lembra da chatice que foi ver “Titanic”  ganhar absolutamente tudo em 1998?), nem a mais entediante. Mas foi, com boa dose de certeza, a mais diferente.

Foram anos seguidos de queda de audiência até a Academia notar que a trinca piadinhas-discursos-canções havia se transformado em um dos soníferos mais eficazes da TV. Em 2009, a força-tarefa montada para alavancar os índices incluiu a escalação de um galã simpático (Hugh Jackman), mudanças no velho esquema de apresentação dos indicados, aposta no humor “de grife” e juvenil e mistério, muito mistério.

Numa tentativa de forçar os espectadores a ligarem a TV, agências de imagem, a pedido da Academia, embargaram fotos da cerimônia até o fim da premiação. Nenhum portal pôde publicar fotografias do interior do Kodak Theatre até Hugh Jackman dar tchau. Dentro da mesma proposta de obrigar o espectador a acompanhar a festa inteira pela TV, poucos nomes de apresentadores foram revelados. A ordem de entrada deles no palco continuou uma incógnita até o começo do show. Se a sua priminha fã de “Crepúsculo” quisesse ver Robert Pattinson, teria de engolir umas boas duas horas de cerimônia.

No humor, mais mudanças. Jackman fez poucas piadas e concentrou-se em seus números musicais - o único bem sacado, ainda que inofensivo, foi o da abertura, com versões “pobres” dos longas indicados. Já a homenagem aos musicais de Hollywood comandada por Baz Luhrmann nos fez lembrar que o Oscar, mesmo quando um tiquinho diferente, continua a ser o Oscar.

Judd Apatow, provavelmente o principal nome da comédia americana hoje, expandiu sua grife com um segmento estrelado por Seth Rogen e James Franco. Nada memorável, mas o mais próximo que o um quadro do Oscar chegará um dia de uma esquete do MTV Movie Awards (os personagens de Rogen e Franco estavam emaconhados, lembre-se).

A MTV, aliás, parece ter sido descoberta pelos produtores com uns 20 anos de atraso. Os clipes dos filmes de ação, comédia e romance exibidos ao longo da festa tiveram Coldplay e The Hives como trilha sonora e uma montagem com cara de ter sido realizada por algum ex-estagiário da ex-emissora musical.

Pra mim, a novidade mais interessante foi a introdução de “padrinhos” e “madrinhas” nas categorias de atuação. A apresentação personalizada de cada um dos indicados alongou a cerimônia, mas permitiu que nomes como Shirley MacLaine e Joel Grey ressurgissem do lugar a que foram relegados depois de terem levado o carequinha dourado para casa. Ver a veterana MacLaine arrancar lágrimas da jovenzinha Anne Hathaway valeu a noite.

As mudanças, pelo visto, surtiram efeito: segundo a Variety, a audiência da festa deste ano subiu 6% em relação à do ano passado, quando os índices de televisores ligados na cerimônia bateram recordes negativos.

***

Ah, sim: a lavada de “Quem Quer Ser Um Milionário?” - oito estatuetas em dez indicações - tem sido interpretada como um sinal de boas-vindas que a meca do cinema dá à Bollywood, prima pobre e ainda mais prolífica. Não discordo. Mas, se Hollywood é amiga, é daquelas que só aparecem quando “precisam de uma forcinha”. Em tempos de recessão, o magérrimo modelo de negócios do cinema indiano - produções baratas, audiência duas vezes maior - parece atraente demais para uma indústria obesa, atolada em produções caríssimas e desesperada com a pirataria.

***

Last, but not least: Ben Stiller tirando um sarro do sarrista Joaquin Phoenix foi engraçado, mas culhões pra sacanear Christian “Fucking” Bale ninguém teve, né?

Apostas para o Oscar 2009 (que é hoje!)

O esquindô tem jogado o Oscar para escanteio este ano (esquecimento até merecido, se pensarmos em quão chata a cerimônia tem sido nos últimos anos).

Mas, para hoje, os organizadores prometem uma festa mais enxuta, dinâmica e engraçada. Reservaram apenas três minutos para a apresentação de todas as músicas, o que é bom sinal.

Vou cobrir tudo ao vivo para o Abril.com a partir das 21h, mas deixo minhas apostas registradas aqui.

Melhor filme
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Milk”, pra vingar “Brokeback Mountain”

Melhor direção
Ganha: Danny Boyle - “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: Gus Van Sant - “Milk”

Melhor ator
Ganha: Mickey Rourke - “O Lutador”
Merecia: Eu só ficaria satisfeito com um empate triplo: Rourke, Sean Penn e Frank Langella.

Melhor ator coadjuvante
Ganha: Heath Ledger - “Batman - O Cavaleiro das Trevas”
Merecia: Heath e Downey Jr “negão”.

Melhor atriz

Ganha: Kate Winslet - “O Leitor”
Merecia: Kate Winslet.
Dêem um Oscar antes que ela chore: Kate Winslet

Melhor atriz coadjuvante
Ganha: Penélope Cruz – “Vicky Cristina Barcelona”
Merecia: Penélope, Marisa Tomei ou Viola Davis, a única ponta de dignidade em “Dúvida”.

Melhor longa de animação
Ganha: “Wall-E”, mas “Kung Fu Panda” pode surpreender
Merecia: “Wall-E”
Me irritaria: “Kung Fu Panda”

Melhor roteiro adaptado
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Frost/Nixon”

Melhor roteiro original
Ganha: “Na Mira do Chefe”
Merecia: “Milk”

Melhor filme em língua estrangeira
Ganha: “Valsa com Bashir”, de Israel.
Merecia: whatever

Melhor direção de arte
Ganha: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Merecia: “A Troca”

Melhor fotografia
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “A Troca”
Quem foi o cego que esqueceu de: “Milk”?

Melhor figurino
Ganha: “A Duquesa”
Merecia: “Milk”

Melhor documentário - longa
Ganha: “Man on Wire”
Merecia: ih…

Melhor montagem:
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Milk” ou “Frost/Nixon”

Melhor maquiagem
Ganha: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Merecia: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Melhor trilha sonora
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?” – A.R. Rahman
Merecia: “Wall-E” ou “Milk”

Melhor canção
Ganha: “Jai Ho” – “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: entre os indicados, “O Saya” – “Quem Quer Ser um Milionário”. Mas esqueceram de tanta gente – Bruce Springsteen, pra começar – que quem se importa?

Melhor edição de som
Ganha: “Batman - O Cavaleiro das Trevas”
Merecia:  “WALL-E”, mas “Cavaleiro das Trevas” também é uma escolha justa

Melhor mixagem de som
Ganha: “Batman - O Cavaleiro das Trevas”
Merecia: “Batman - O Cavaleiro das Trevas”

Melhores efeitos especiais
Ganha: “O Curioso Caso de Benjam- Button”
Merecia: “Homem de Ferro”

O apocalipse será blogado

Então o fim é assim: nenhum flashback de anos em milissegundos, nenhuma luz acompanhada de uma voz gutural que, apesar da gravidade, te acalma (garante minha mãe). Em 2009, as trombetas do apocalipse são um pouco menos melodiosas: é “Rodei porque a fusão do Itaú com o Unibanco fez o meu chefe perder seu principal cliente”. Ou “Fui despedido porque trabalho numa divisão supérflua da minha empresa”.

Tem ainda a sua prima, aquela que vive ilegalmente em Boston há um ano, reclamando em tiopês no MSN: “num tm masi vag nenhm nem no Stbuks =( ” (“não tem mais vaga nenhuma nem no Starbucks =(”).

É a crise.

Fizeram com que eu acreditasse que Yahoo!, Nokia e Caterpillar demitindo 10% de sua força de trabalho são a representação contemporânea para o que soava tão mais interessante (esteticamente, ao menos) na Bíblia. E eu acredito. Acredito tanto que blogo sobre isso. Estou verdadeiramente apavorado. Você não?

Sinto saudades de quando eu era assombrado por um fim do mundo representado em um asteróide com aparência de batata desenhado em alguma enciclopédia empoeirada impressa nos anos 70. Ou de “The Day After”, com aquele cara sem-graça de “3rd Rock From The Sun” e “Síndrome de Cain”.

Mas a realidade é bem menos divertida, muito mais lógica e penosamente mais lenta. Wall Street quebra. Americanos obesos perdem seus SUVs e casas de madeira-que-parece-isopor. Os Estados Unidos quebram. A Islândia quebra (pensei agora: imagina se a Bjork lança um disco para ajudar seus compatriotas falidos? A situação só piora, minha gente!). O Reino Unido quebra. A Alemanha quebra. O Japão quebra. A gente dá um crédito a Lula e o Brasil realmente não quebra, mas volta a apresentar indicadores econômicos pré-Plano Real.

Então você perde aquela vaga que demorou tanto para conseguir, suga seu auxílio-desemprego, vende os móveis que ainda não acabou de pagar, usa a grana da rescisão para quitar a multa do contrato de aluguel, se enfia na casa de um amigo, fica lá por duas semanas até perceber que o melhor a fazer é voltar pra casa dos pais aposentados e manter um blog que custa 10 reais de hospedagem por mês, não dá muita grana mas te distrai do desmoronamento mundial.

Tem gente que acredita que o mundo só acaba mesmo em 2012, que o anticristo já está entre nós (oi, Putin), que o LHC vai derreter a Via Láctea. Talvez seja melhor me juntar a esse grupo que adora uma fantasia e não percebe que o fim já está aí pra quem quiser vê-lo.

Então, otimista que sou, desejo que um asteróide em formato de batata se materialize próximo a Júpiter e entre em rota de colisão com a Terra. E torço para que seu impacto esteja previsto para antes de eu ler a próxima manchete aterrorizante escrita pelo sujeito que perderá o emprego, venderá os móveis e voltará a morar com os pais.

Coelhinha da Playboy fala sobre assédio na Campus Party

Acompanhei pelo Twitter a última polêmica da segunda edição da Campus Party: o assédio à Ana Lúcia Fernandes, coelhinha ruiva da Playboy que ficava no estande da Abril Digital quando não estava circulando pelo evento nerd. No sábado (24), a moça, que é capa da Playboy de dezembro de 2008, teve a bunda apertada por um campuseiro. Aparentemente, o bronco o fez por conta de uma aposta com amigos.

A comoção em torno do caso aumentou quando uma foto de Ana Lúcia chorando foi postada no Flickr. Rapidamente, o espaço dos comentários da imagem foi tomado por uma discussão. Tem gente que, pelo visto, achou normal a mulher ser bolinada por lá.

Falei com Ana Lúcia por telefone. Ela não se lembra exatamente do nome do sujeito que a bolinou, mas confirmou que ele é mesmo o cara apontado no Twitter e no Flickr como responsável pelo assédio. E, na entrevista que me deu (publicada no Abril.com), afirmou que não vai processá-lo, mas que muda de ideia se ele mover alguma ação contra quem o acusou na web. Mexe com ela, mexe!

O que aconteceu na Campus Party, exatamente?
No sábado e no domingo o evento foi aberto ao público. Muita gente se aproximava e faltava com o respeito…

O que essas pessoas te falavam?
Ah, coisas como “Se eu tivesse uma mãe assim, mamaria até os 30 anos”. Eram as mesmas pessoas que tiravam foto com a gente todos os dias que falavam isso. Mas a maioria respeitou e tratou com carinho.

Alguém realmente apertou seu bumbum quando você tirava foto?
Eu já tinha tirado foto com esse cara (identificado no Twitter como LewisIceman) várias vezes. Aí ele deu uma apertada bem forte. Fiquei indignada, porque o tratei com carinho, com respeito. Falei: “Você tá louco? Tem noção do que fez?”. E como eu estava vestida de coelhinha, representando a Playboy, não podia perder a pose. Fiquei chateada. Sei que estou exposta a esse tipo de coisa, mas ele estava errado.

Isso já havia acontecido alguma outra vez?
Em dois anos e meio como coelhinha, essa foi a segunda vez. Da outra vez foi em uma festa da revista. O cara que fez isso foi colocado para fora do lugar.

Você chegou a ver as pessoas te defendendo no Flickr e no Twitter?
Vi sim, gostei. Eles defenderam todas as mulheres, não só a mim.

Você pretende tomar alguma atitude legal contra o cara que apertou seu bumbum?
Prefiro esquecer, processá-lo não vai me ajudar em nada. Mas se ele processar as pessoas (que o acusaram), como ameaçou lá no Flickr e no Twitter, aí eu mudo de ideia.

(Agradeço mais uma vez ao Samuel, do Flickr Skateonrails, por ter liberado a foto para uso lá no Abril.com)

Lost volta hoje!

“Lost”, minha série de ação preferida, a única capaz de fazer eu me comportar feito um hooligan em dia de Arsenal x Manchester United, volta a ser exibida hoje nos EUA! Celebrando, publiquei uma lista com os 20 momentos mais cheios de emoção, tensão, magia & sedução de todas as quatro temporadas lá no Abril.com.

Confira minhas cenas preferidas de “Lost” a seguir - em ordem cronológica, não de estupefação.

(O Sr. Bruno Dias, mais macabro, listou todas as mortes da série até hoje. Veja aqui.)

1. Jack abre os olhos e encontra os destroços
A primeira cena do primeiro episódio da primeira temporada de “Lost” dá o tom exato do que assistiríamos nos próximos anos: sem saber onde está ou o que aconteceu, Jack acorda e caminha desnorteado até encontrar uma praia cheia de sobreviventes e destroços do avião ainda em chamas.

2. Locke andava em uma cadeira de rodas
Um dos grandes choques do começo da primeira temporada vem em um flashback no quarto episódio, “Walkabout”: Locke era paraplégico até chegar à ilha.  Ninguém sabe ao certo como ele se curou. Mas o acidente que o levou à cadeira de rodas é explicado algum tempo depois, na terceira temporada.

3. Ethan não é um sobrevivente do acidente

Acontece no 10º episódio, “Raised by Another”. Infiltrado entre os sobreviventes do vôo 815, Ethan é descoberto por Hurley quando ele confere a lista de passageiros e percebe que o homem misterioso não estava no avião. É o primeiro contato do público com um “Outro”.

4. O sequestro de Walt

Um grupo dos sobreviventes passa parte da primeira temporada construindo uma jangada de madeira para tentar fugir da ilha. Nela embarcam Michael, Walt, Sawyer e Jin. No último episódio da temporada, o grupo finalmente coloca a jangada no água mas, horas depois, encontra um barco em alto mar. São os Outros, e eles levam Waaaaaalt.

5. A escotilha
Nos dois últimos episódios da primeira temporada, os personagens encontram uma escotilha que, à primeira vista, parece impossível de ser aberta. Jack, Kate, Locke e Hurley conseguem dinamite para explodir a porta (o pobre Arzt fica no caminho). Mas Hurley nota os números malditos – 4, 8, 15, 16, 23 e 42 - escritos no metal e tenta impedir a explosão. Tarde demais. Em um cliffhanger memorável, a câmera entra pelo tubo da escotilha mas não mostra o que diabos há lá dentro.

6. Por dentro da escotilha

O primeiro episódio da segunda temporada começa no que parece ser uma casa dos anos 70. Um homem acorda, se exercita e toma café da manhã ao som de um hit do The Mamas & The Papas. A gente só descobre que a “casa” é a famigerada escotilha do fim da primeira temporada quando o homem – Desmond, que se tornaria um dos personagens mais importantes da série a partir de então - observa Locke e Jack segurando suas tochas, tentando adivinhar o que encontrariam por ali.

7. Os sobreviventes da cauda
Jack, Locke, Sawyer & Cia não são os únicos sobreviventes do vôo Oceanic 815. No sétimo episódio da segunda temporada, “The Other 48 Days”, descobrimos que passageiros da cauda do avião caíram em outro lugar da ilha e sofreram o pão que Jacob amassou nas mãos d’os Outros e de uma líder esquentadinha, Ana Lucia.

8. O que aconteceu a Claire
Claire foi seqüestrada por Ethan no 11º episódio da primeira temporada (“All The Best Cowboys Have Daddy Issues”), mas foi só no 15º episódio do segundo ano (“Maternity Leave”) que descobrimos por onde a australiana andou: ela foi levada a uma estação Dharma onde Ethan, trajado como médico, aplicou-lhe uma injeção. Soubemos depois que o medicamento salvou a vida de Claire.

9. Michael mata Libby e Ana Lucia

Seqüestrado pelos Outros no fim da primeira temporada, Walt, o insuportável filho de Michael, é o responsável indireto por uma das reviravoltas mais chocantes da série. Chantageado pelo misterioso Henry Gale (que mais tarde se revelaria Ben Linus, líder dos Outros), Michael mata Ana Lucia e Libby a fim de libertar o prisioneiro e reaver o filho. A tragédia acontece no 20º episódio da segunda temporada, “Two for the Road”.

10. O responsável pela queda do avião
Descobrimos o que houve com o vôo no último episódio da segunda temporada, “Live Together, Die Alone”. Depois de naufragar na ilha, o “brotha” Desmond é levado para a escotilha, onde é encarregado por Kelvin, funcionário da Iniciativa Dharma, a colocar os números no computador. Após uma briga com Kelvin, Desmond deixa de digitar a combinação e a escotilha começa a tremer, como se fosse desmoronar. Ele não sabia, mas a falha que provocou no sistema naquele dia liberou uma grande carga eletromagnética da ilha, afetando um avião que passava por ali: o do vôo Oceanic 815, claro.

11. Desmond começa a ter visões do futuro
Após a explosão da escotilha no final da segunda temporada (que gerou outra cena incrível, a do céu cor-de-rosa), o “brotha” começa a ter visões estranhas, como se previsse o futuro. Entre outras coisas, durante o 8º episódio da terceira temporada (“Flashes Before Your Eyes”), Desmond revela que a vida de Charlie está em perigo. E, como sabemos, ele não estava errado.

12. Claire é irmã de Jack
A mais sinistra das ligações entre personagens de “Lost” é revelada no 12º episódio da terceira temporada, “Par Avion”. Claire descobre que é filha de Christian Shephard. Portanto, é irmã de Jack. Mas, claro, nenhum dos dois personagens sabe da ligação.

13. Locke é jogado da janela por seu pai
Sabemos desde a primeira temporada que Locke era paraplégico antes de chegar à ilha. Mas foi só no 13º episódio da terceira temporada, “The Man from Tallahassee” que descobrimos como ele foi parar lá: depois de roubar seu rim, o pai de Locke (maior filhodaputa de toda a série) joga o filho do oitavo andar de um prédio. Locke sobrevive, mas não pode mais andar.

14. A morte de Paulo e Nikki
Este momento só entra na lista porque tem um gosto especial para os brasileiros. Rodrigo Santoro participou de alguns episódios da terceira temporada como Paulo, personagem sobrevivente do vôo 815 que não caiu (sem trocadilhos) no gosto do público. Por conta disso, ele e sua companheira, Nikki, foram mortos pelos roteiristas/produtores (eles admitiram isso em podcasts). E a morte rola da maneira mais macabra possível: no 14º episódio, “Exposé”, o casal é picado por uma aranha que os deixa em estado de sono profundo. Tomados como mortos pelos outros sobreviventes, os dois são enterrados vivos!

15. Todo o último episódio da terceira temporada
No último episódio da terceira temporada, o público se despede de um de seus personagens mais queridos, Charlie. Na tentativa de salvar Desmond e a estação submarina, o músico se tranca em um compartimento e morre afogado. Mas, antes, consegue avisar ao brotha que o barco que os espera lá fora não é o de Penny. No mesmo episódio, Jack é visto em um funeral de uma pessoa desconhecida, mistério que foi esticado por uma temporada inteira. Logo depois, somos apresentados à maior inovação narrativa da série. Descobrimos que os flashbacks do episódio, na verdade, mostram Jack e Kate fora da ilha, no futuro. São flashforwards e significam o começo de uma nova era em “Lost”.

16. Aaron vira filho de Kate
Não só Kate e Jack conseguiram sair da ilha, como também Hurley, Sayid e Sun. Aaron, filho de Claire, é o sexto elemento dos Oceanic Six, o grupo de sobreviventes do vôo 815 que ganha fama mundial após ser resgatado. Como parte de uma história falsa bolada pelo grupo, o bebê é criado como filho de Kate, algo que só descobrimos na última cena do 4º episódio da quarta temporada, “Eggtown”.

17. O retorno de Michael
O cargueiro que chega à ilha atrás dos sobreviventes traz a bordo um passageiro familiar: Michael, que está no navio a serviço de Ben, sob o nome Kevin Johnson. O pai de Walt se revela a Sayid e Desmond no 7º episódio da quarta temporada, “Ji Yeon”. No capítulo seguinte, “Meet Kevin Johnson”, descobrimos o que aconteceu a Michael desde sua saída da ilha, na segunda temporada, até a reaparição na quarta, a bordo do navio.

18. Encontro com Christian na cabana de Jacob
No 11º episódio da quarta temporada, Locke está à procura da cabana de Jacob e acaba encontrando um mapa para o local dentro do macacão de um falecido funcionário da Dharma. Lá dentro, em uma das cenas mais assustadoras de toda a série, o personagem vê Christian Shephard e Claire, juntos e estranhamente calmos. Ao sair, Locke tem na ponta da língua a solução para salvar a ilha de ameaças externas: movê-la!

19. A ilha se move
Jacob manda, Ben faz. Após a revelação de Locke na cabana, Ben parte rumo à estação Orquídea. Lá dentro, mata Keamy, chefe dos mercenários do cargueiro, veste um macacão Dharma e move uma roda em uma sala coberta de gelo. Então, puf! A ilha some! A cena, inacreditável, é mostrada no último episódio da quarta temporada. Como já sabíamos há algum tempo, através dos flashforwards, Ben vai parar no meio de um deserto africano após a manobra inusitada

20. Locke está morto
No último episódio da terceira temporada, Jack vai a um funeral, mas ninguém sabe de quem. Um caixão é mostrado, mas a identidade do morto não é revelada. O mistério perdura por toda a quarta temporada e só é resolvido no último episódio: o funeral é o de Locke. Ninguém sabe como o personagem morreu ou apareceu ali – lembre-se que ele estava na ilha quando ela foi movida por Ben.

Oito maiores motivos de mimimi no Twitter

O Twitter é uma fábrica de reclamações. A pergunta “What are you doing?” e a simplicidade de uso da ferramenta estimulam updates impensados, espontâneos e, por isso mesmo, muitas vezes irritantes e repetitivos.

Mimimis (apelido carinhoso para reclamações na era da web 2.0) existem em qualquer timeline, mas oito assuntos parecem dominá-los. Check’em. Eu me encaixo em uns cinco.

8. Discussões sobre comida
Se você twitta direto do almoço naquele restaurante japonês incrível nos Jardins, espere por um reply dizendo que comida japonesa é horrível, que onde já se viu comer algo cru?, que bom mesmo é picanha!. Se você diz que comida japonesa é horrível, espere por um reply dizendo que você é louco!, que tem paladar infantil e que vai morrer aos 35 de infarto do miocárdio por causa dessa picanha que você acabou de elogiar.

7. PC lento

Você navega na internet usando um Celeron recauchutado, ouve música no iTunes, conversa no MSN e grava um DVD enquanto navega usando o Internet Explorer 6. Aí, emputecido com a lentidão da máquina, extravasa a raiva postando no Twitter através do Twhirl. Você merece cada crash do seu sistema, amigo.

6. Big Brother (ou qualquer programa que divida opiniões)
Se sua linha do tempo é dominada por tweets sobre o BBB (tipo “Hahahah, olha a Naiá de biquíni enfiado no rego!”ou “Esse Max se acha o artista, mas é muito babaca!”), a reação natural é… reclamar da invasão do seu Twitter por esse povo sem cultura que gosta de programas de TV superficiais, LÓGICO. Porque reclamar é sempre muito mais fácil que dar unfollow (#máxima do Twitter número 1).

5. Odeio Natal ou Odeio Casamentos ou Odeio Festa da Firma

Não precisa dizer. Poupe-nos de alguns mimimis. Acredite: se você prefere twittar suas mágoas para o mundo a encher a cara e se acabar de dançar num desses eventos, a gente já sabe sua opinião de antemão.

4. Namoro

Em relacionamentos, o Twitter funciona como uma versão web 2.0 daquelas frases auto-afirmativas que gente imatura coloca no MSN para provocar o(a) namorado(a) (“João - Não trato com prioridade quem me trata como opção!” ou “BeLLyNhAaA - StrOonGeRr ThAnnN YesTerrdaYYYxxx”).  O efeito é o mesmo: nenhum. O caminho natural é partir para indiretas. Que ficam cada vez mais diretas. E, por conta disso, cada vez mais mimimi.  Quando o namoro acaba, haja choramingo. Baseado nas leis de Morrissey (I was driving my car /I crashed and broke my spine / So yes there are things worse in life than / Never being someone’s sweetie), recomendo unfollow.

3. Blogueiros
Sou dos que acham um saco acompanhar tweets de pro-bloggers em um de seus dias de princesa testando as novas Havaianas em alguma ilha no litoral do Espírito Santo. Como a lei que rege as discussões sobre blogosfera parece ser “fight fire with fire”, a turma anti-jabá capricha na chatice.  E, em poucos minutos, sua timeline é tomada por mimimis de um assunto que não te interessa a não ser que você seja um analista de social media. Ou o Cardoso.

2. Trabalho
O Twitter bomba mesmo é no trabalho (se tem dúvida, observe o marasmo de sua timeline aos sábados e domingos). E já que acessos de raiva viram updates de 140 caracteres com grande facilidade no maravilhoso mundo dos microblogs, nada mais comum do que encontrar opiniões comprometedoras sobre chefes, colegas de bancada e refeitórios da firma no perfil mais próximo.

1. Clima
A típica conversa de elevador é o hit mimimi máximo no Twitter.  No verão, todo mundo deseja um ar-condicionado. No inverno, tudo o que todo mundo quer são alguns míseros raios de sol. Como falar mal do clima parece inevitável no meio, sugiro, pelo bem da sanidade de São Pedro, escolher um lado e só reclamar em uma das estações. Que tal?

O que Pedro Cardoso diria? [8]

Mulher siliconada arrebenta uma melancia com os peitões. E você acha a TV aberta brasileira uma merda…

(via Teco Apple)

Prepare-se: livro de Paulo Coelho chega aos cinemas em maio

A adaptação de ‘Veronika Decide Morrer”, livro de Paulo Coelho lançado em 1998, tem previsão de estréia para maio de 2009 no Brasil - tempo suficiente, portanto, para se preparar psicologicamente para a missão de acompanhar sua amiga fã-do-Mago ao cinema ou convencê-la a desistir da idéia (começa dizendo pra ela assistir a “Minha Vida Sem Mim“, dramalhão com a Sarah Polley dirigido pela espanhola Isabel Coixet, de temática semelhante e resultados provavelmente superiores).

Veronika Decides to Die“, nome original do longa que está por vir, tem sido apresentado como a primeira adaptação de um livro de Paulo Coelho para os cinemas, o que infelizmente não é verdade. “Veronika wa shinu koto ni shita”, baseado no mesmo livro do único-Imortal-brasileiro-capaz-de-fazer-chover, estreou no Japão em fevereiro de 2006 e não foi visto por ninguém.

Japoneses espertos.

Na nova adaptação americana, Kate Bosworth era a primeira escolha para viver a protagonista suicida que encontra um sentido para a vida quando, oh!, descobre que vai abotoar o paletó de qualquer maneira. Acabaram ficando com Sarah Michelle Gellar, que, realmente, tem cara de estepe.

Parênteses: pra não ser completamente injusto com a Buffy, digo que ela está muito bem em “Southland Tales” interpretando, pelo que percebi, uma versão mais burra e mais loira dela mesma.  O que me leva a crer que havia algo na água dos sets do filme de Richard Kelly, porque até Dwayne “The Rock” Johnson mandou bem na ocasião. Fim do parênteses.

“Veronika Decides to Die” é dirigido pela inglesa Emily Young, vencedora do prêmio da Cinefondation em Cannes em 1999 e ganhadora do troféu de revelação no BAFTA 2003.  O roteiro é de Larry Gross, colaborador antigo de Walter Hill, com quem trabalhou em”Ruas de Fogo” (1984) e “48 Horas”(1982). Mas, beware! Gross também foi o responsável pela adaptação do terrível “Prozac Nation” (2001), longa certamente mais próximo de “Veronika” do que dos filmes de Hill.

O trailer foi divulgado em dezembro no canal do nosso Dumbledore no YouTube:

O filme nem foi lançado, mas a prévia já carrega o selinho de aprovação alquimista. Nas palavras de Paulo Coelho, expostas no trailer: “Sarah Michelle Gellar retrata com emoção a Veronika que eu sempre imaginei”. A canção melosa que embala o olhar de “me superei, mereço um Globo de Ouro” de Sarah é “Come Undone”, de Greg Laswell.

A tagline do filme (aquela frase de efeito que estampa os cartazes) dá o tom do que nos espera: “When you find out you will die, that’s when you decide to live” (quando você descobre que vai morrer é quando você decide a viver”). Uhhh, arrepiou?

As próximas adaptações de livros de Paulo Coelho a chegarem aos cinemas devem ser “Onze Minutos” e “O Alquimista”, dirigido e estrelado por Laurence Fishburne.

Te cuida, Harry Potter!

8 x 5 - o que ouvi em 2008

Escutei menos álbuns do que gostaria, assisti a uns três shows que eu sempre quis ver, me decepcionei feio com um deles (Interpol), mas não tenho do que reclamar: o TV on the Radio soltou mais uma obra-prima, o REM fez apresentações memoráveis e entrevistei dois de meus ídolos indie (Spoon e The National). Eis o resumo do meu 2008 musical:

5 álbuns gringos

TV on the Radio – “Dear Science”

Jamie Lidell – “Jim”

Black Kids – “Partie Traumatic”

Drive-By Truckers – “Brighter then Creation’s Dark”

Vampire Weekend – “Vampire Weekend”

5 álbuns nacionais

Wado – “Terceiro Mundo Festivo”

Cello Zero – “Late Glitch”

Holger – “The Green Valley EP”

Curumin – “Japan Pop Show”

Macaco Bong – “Artista Igual Pedreiro”

Lista completa de todos os discos ouvidos aqui.

5 canções
Empire of the Sun –“Walking on a dream “

Cut Copy – “Hearts on Fire”

Jamie Lidell – “Figured me Out”

Black Kids – “Look at Me (When I Rock Wichoo)”

Drive-By Truckers – “3 Dimes Down”

5 clipes
Gnarls Barkley – “Who’s Gonna Save My Soul”

Justice – “Stress”

Primal Scream – “Can’t Go Back”

The BPA – “Toe Jam”

Kanye West – “Flashing Lights”

Bônus: Empire of the Sun – “Walking on a Dream”

5 shows

Spoon – Planeta Terra Festival (08/11/2008)

The National – Tim Festival (25/10/2008)

REM – Via Funchal (11/11/2008)

Conor Oberst – Studio SP (16/07/2008)

The Hives – Via Funchal (06/09/2008)

5 decepções
Interpol ao vivo no Via Funchal
Bloc Party, tanto faz se playback ou ao vivo
“Red”, segundo disco do Guillemots
“Here We Stand”, segundo álbum dos Fratellis
Ter perdido o show do Vaselines no Noise Festival

5 hypes que não me pegaram
MGMT
The Ting Tings
Shows da Madonna no Brasil (só fui à trabalho)
Fleet Foxes
“Third”, do Portishead

5 álbuns para 2009
Animal Collective – “Merriweather Post Pavilion”
Franz Ferdinand – “Tonight: Franz Ferdinand”
Midlake – “Courage of Others”
O quarto disco dos Strokes
O terceiro dos Yeah Yeah Yeahs

Saiu! Melhores filmes de 2008!

Sempre acho que só quem não foi muito ao cinema é capaz de dizer que o ano – qualquer ano - foi ruim para os filmes.

E fui bastante ao cinema em 2008. Vi quase 160 longas que entraram em cartaz. Então não dá para falar mal de um ano marcado pra mim como aquele em que Todd Haynes, Paul Verhoeven e a Pixar, todos donos de uma obra já admirável, se superaram.

Mas dá pra lamentar a ausência de algumas estréias por aqui. Quem agüenta essas distribuidoras cagonas que não lançaram “Chumbo Grosso”, “Redacted”, “Southland Tales”, “Lust, Caution” e “À Prova de Morte” nos cinemas, meu Deus?

Essas mancadas quase me fizeram mudar meu critério de anos para publicar uma lista de melhores filmes: sempre levo em consideração o lançamento das obras no circuito paulistano. Assim, “A Espiã” e “Shortbus”, que foram produzidos em 2006, entram na lista de 2008.

Mas em 2009, se a patifaria continuar, a coisa muda.

Antes dos melhores, revelo a lista dos filmes que toooodo mundo ama, menos eu. É a tradicional “Não, obrigado!”:

1. Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
2. Sweeney Todd (Tim Burton, 2007)
3. Ensaio Sobre a Cegueira (Fernando Meirelles, 2008)
4. Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan, 2008)
5. Falsa Loura (Carlos Reichenbach, 2008)

“Fim dos Tempos” é praticamente a caveira do cachorro morto, então entra aí só para reforçar meu desgosto com o Shyamalan pós “A Vila”

Agora, o filé mignon (os filmes ganham pequenos comentários a partir do item 10 da lista):

20. Senhores do Crime (David Cronenberg, 2007)

19. Juno (Jason Reitman, 2007)

18. Serras da Desordem (Andrea Tonacci, 2007)

17. Hellboy 2: O Exército Dourado (Guillermo Del Toro, 2007)

16. Paranoid Park (Gus Van Sant, 2007)

15. A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel, 2007)

14. Canções de Amor (Christophe Honoré, 2007)

13. O Nevoeiro (Frank Darabont, 2007)

12. Estamos Bem Mesmo Sem Você (Kim Rossi Stuart, 2005)

11. Leonera (Pablo Trapero, 2008)

10. Encarnação do Demônio (José Mojica Marins, 2008)

Décadas depois de sua última produção, Mojica retorna assombrado por imagens: as suas, de seus filmes clássicos. Porque (voltara a) filmar no Brasil é mesmo um pesadelo. E o fracasso de bilheteria só comprova a tese.

9. A Questão Humana (Nicolas Klotz, 2007)

Mais assombrações do passado. Achou o título pomposo? Pois saiba que o diretor leva até o fim a ambição de mapear o mal estar da civilização a partir dos olhos de um simples gerente de recursos humanos. É preciso culhões para ser tão pedante, convenhamos.

8. Linha de Passe (Walter Salles e Daniela Thomas, 2008)

Se você é daqueles que não agüenta mais filmes sobre periferia e favelas, vá para a puta que te pariu ou assista à “Linha de Passe” sem o preconceito besta de quem acredita que “viu um, viu todos”. Olhares sensíveis e esforçados em sua tentativa de não julgar nem vitimizar ainda existem por aqui.

7. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Christian Mungiu, 2007)

O inferno da vida real é ainda pior em longos e rigorosos planos-seqüência.

6. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)

Um western que faz tic tac tic tac. Um monstro oscarizado que faz rir. E um desfecho que é fel puro. (”Queime Depois De Ler” é o antídoto).

5. Shortbus (John Cameron Mitchel, 2006)

O longa mais libertino e libertário em… sei lá, muitas décadas, foi responsável pela sessão de cinema mais memorável de 2008. Sério que ainda tem gente que se espanta com pintos eretos, vulvas e orgias em pleno século 21? Mesmo quando filmados com tanta leveza e humor e servindo de pano de fundo para um drama que diz respeito a todos nós? Que puxa.

4. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Sidney Lumet, 2007)

Um efeito dominó diabólico orquestrado pelo pulso firme de quem já viveu muito e sabe que a vida, meu amigo, é mesmo essa merda toda.

3. Wall-E (Andrew Stanton, 2008)

Uma ficção-científica infantil e romântica orquestrada pelo pulso de quem já viveu o bastante para saber que a vida, meu amigo, também pode mesmo ser tão bonita quanto um musical dos anos 60. (se você assistiu com seu [sua] namorado[a], o filme sobe duas posições no ranking)

2. A Espiã (Paul Verhoeven, 2006)

Se Nicolas Klotz tem culhões, Paul Verhoeven tem o quê? Como thriller de espionagem, é um desbunde. Como filme de guerra, é contundente feito “Glória Feita de Sangue”, de Stanley Kubrick. Mas é um filme de Paul Verhoeven – aqui, visto com o modo “filho da puta” ativado no último nível. No final, ele joga o balde de merda em outras cabeças: a minha e a sua.

1. Não Estou Lá (Todd Haynes, 2007)

Assisti na Mostra do ano passado e o choque estético perdura. Em uma onda de cinebiografias bunda-moles de músicos que são qualquer coisa, menos bunda-moles (”Ray”, bleargh; “Johnny & June”, eca!), Todd Haynes organiza um painel emocionante que, visto de (não muito) longe, forma um retrato preciso de um músico que (ironia das ironias!) foge de rótulos como o Oscar foge do Brasil. Pela sacada simples e pela execução de encher olhos e ouvidos, “Não Estou Lá”, número 1.

Vai dar tempo!

Ainda é Natal nas Casas Bahia!

Voltei a tempo de publicar listas de fim de ano. A primeira entra no ar hoje: os meus filmes preferidos de 2008. Ao longo da semana solto mais duas: a de videoclipes e a de canções.

Pensei muito a respeito de uma lista de álbuns e achei melhor não publicá-la. Ou publicar sem tanto destaque assim. Continuo e continuarei a ouvir discos completos e apreciá-los como uma massaroca que diz alguma coisa enquanto conjunto esteticamente uniforme (ui). Mas, ultimamente, tenho notado que músicas isoladas são capazes de me instigar mais do que um conjunto delas. Pra mim, a canção “Walking on a dream”, do Empire of the Sun, por exemplo, é mais relevante do que o “Viva La Vida”, do Coldplay, inteiro. Com esse exemplo, diz aí: você não concorda?

E como temos pouco tempo, a saída da listinha de músicas também é mais cômoda, claro.

Porque este é um blog honesto.

Não desisti!

Meu Athlon XP 1700 de mais de seis anos de idade - ou 83, no “tempo da informática” - pediu arrego. Num ataque de fúria, explodiu a fonte e estufou todos os capacitores da placa-mãe, pra você ver como esse velho era ruim.

Resistiu bravamente a anos sem formatações. Me ajudou a parir uma monografia de 120 páginas em 2006. Acumulou 80 gb em MP3, cinco temporadas de The Office e todos os filmes do John Cassavetes - e ai dele se não devolvê-los antes do enterro.

Enquanto um substituto não chega, este quintal aqui fica ainda mais abandonado.

(Eu bem pensei que abrir blog em fim de ano não era lá uma idéia brilhante!)

Güentae. Volto a tempo das listinhas de melhores e piores do ano.

(Alguma dúvida de que elas existiriam?)

O que Pedro Cardoso diria? [7]

Jean-Luc Godard lambe Brigitte Bardot com a câmera em “O Desprezo” (1963). Cena de nu mais bela da história do cinema?

No mercado paralelo

Publiquei um texto sobre a roubada do seguro-fiança no Eu Só Quero Um Lugar Pra Morar, blog (sobre, hum, assuntos imobiliários) que tenho com o Pedro Jansen.

Pois é, abri dois blogs ao mesmo tempo.

Pois é, seguro-fiança é uma TREMENDA roubada. Saiba mais .