Querido diário (dois pontos)

Acabei de passar um mês fora do país, de férias, e seria bem fácil, bem fácil mesmo, citar nesse relato qualquer vontade de ir embora do Brasil. Adianto que não vai rolar. Minha vida pode até render umas páginas no #classemédiasofre (o Burger King tá mais caro ou é impressão?), mas essa vertente mimimística brasileira nunca me pareceu a maneira mais sensata de se lidar com os problemas daqui (não sei qual seria também, vale registrar). Nada contra quem queira fazer as malas e sumir. Acho legítimo. Só não é uma solução pra mim, por enquanto.E por mais que São Paulo tenha se esforçado hoje para destruir o amor que sinto por ela, gosto de viver aqui. Meus amigos, os melhores do mundo, estão aqui. Minha família, a melhor do mundo, também. São Paulo te coloca contra a parede todos os dias, mas hoje ela me deu um chute bem dado nos colhões.

Quase um mês depois da estreia, resolvi que queria assistir a Transformers 3 (opa, podem me julgar) em 3D e uma das salas mais próximas de casa era a do Cinemark Eldorado. Sessão única, às 12h40. Chamei o Diogo, grande amigo que fez essa última viagem comigo, e fomos (Diogo é tão bróder que topa esse tipo de roubada sem pensar). Raramente vou ao Eldorado, mas nunca tive problemas com o Cinemark de lá, que me parecia mais organizado e tranquilo que os do shoppings Paulista e Santa Cruz.

A primeira coisa estranha rolou no meio do filme, fruto da desatenção do projecionista (que, pelo horário, provavelmente estava sozinho cuidando de todas as salas do multiplex, algo bem comum em redes assim). A música “O Tempo”, do Móveis Coloniais de Acaju, invadiu a sala, interrompedo o áudio do filme, que continuou a rolar. Foram 2 minutos ouvindo a boa canção do Móveis servir de trilha para Bumblebee e Optimus Prime – algo como ter a Ivete na trilha de Inception ou Radiohead em Bruna Surfistinha.

O problema foi corrigido depois que um espectador avisou o segurança.

40 minutos depois, os Decepticons destruíam Chicago (vi parte desses sets ano passado em uma viagem, tinha curiosidade pela cena) quando eu e Diogo ouvimos barulho vindo do fundo da sala. Algo como tecidos se retorcendo, papel queimando, gente se levantando e as cadeiras retráteis voltando à posição normal. Como conseguimos ouvir barulhos NO MEIO DE UM CLÍMAX DE UM FILME DO MICHAEL BAY eu não sei. Pensamos na hora em algo tipo um incêndio na cabine de projeção. Me virei e vi três homens em pé, apontando dedos. Na tela, Shia LaBeouf escorregava pelo andar de um prédio quebrado ao meio por algum robô gigante humanizado.

Então vi um dos homens, um senhor que aparentava 50 anos, tomar um soco, Tudo o que eu conseguia ouvir (efeitos sonoros de Transformers à parte) eram mulheres e uma garotinho de uns 10, 11 anos gritando “PARA, PARA”. Eles não pararam. Caíram no chão de uma das fileiras, trocando socos. Só conseguia ver pernas e braços e um deles recebendo um chute. A sala inteira já havia notado que algo estranho acontecia. Os homens correram pelas fileiras superiores, trocando sopapos, enquanto um cara atrás de mim, exaltado e tentando proteger a mulher, os ameaçava aos gritos de “Vou arrebentar vocês!”.

Notei que algumas pessoas se abaixaram, temendo que algum deles estivesse armado. Nada indicava a presença de uma arma ali. A única explicação que tenho para a reação dessas pessoas foi a lembrança da tragédia da sessão de Clube da Luta no Shopping Morumbi, em 1999. Confesso que eu mesmo me encolhi na poltrona e pensei na possibilidade de um novo Mateus da Costa Meira na sessão. Duas garotas citaram a tragédia de 99 em conversa comigo. 12 anos depois, o trauma ainda existe.

A briga continuava e eu imaginei que a qualquer momento a projeção seria interrompida e seguranças invadiriam a sala para controlar a situação. Mas o filme continuou por uns 5 minutos e só parou depois que duas mulheres, apavoradas e histéricas, saíram correndo da sala, gritando por socorro. Eu e Diogo não sabíamos bem o que fazer até eu notar uma garota do meu lado esquerdo, estática na poltrona. Me aproximei dela, perguntei se ela estava bem, se queria ajuda para sair da sala. Ela chorava e disse que não conseguia se mexer. Ao se abaixar, temendo tiros (ela também se lembrou da história de 99 e a citou depois), ela havia deslocado uma prótese interna que tinha na perna e não conseguia andar. Pedi para que o Diogo ficasse com ela enquanto eu chamava um segurança para ajudar a tirá-la da sala. A garota não parou de chorar pelos 20 minutos seguintes. Ficamos com ela até a mãe chegar.

Dois dos envolvidos na briga fugiram. A segurança do shopping Eldorado não os localizou até o momento em que saí de lá. O senhor de meia-idade, pai do garotinho que gritava “PARA PARA” pouco antes, sangrava pela boca e orelha. Ficou aos cuidados da segurança do cinema. Uma garota que estava sentada atrás deles e presenciou o começo da briga me contou que o moleque passou a sessão inteira fazendo barulho, incomodando quem estava por perto. Dois caras pediram a ele, de maneira respeitosa, que fizesse silêncio. O pai não gostou e os ameaçou, dizendo que iria “fodê-los”.  O show de horrores supostamente começou assim, com uma criança sendo mal educada e um pai corroborando esse comportamento (e ameaçando quem o contrariasse).

Clichêzão, mas verdade: não interessa como ou quem começou a pancadaria. O resultado da estupidez de 3 sujeitos foram 40 pessoas em pânico, mulheres e crianças chorando e uma garota ferida no meio de uma sessão de um filme infantil.

Não vi polícia por lá, e não vi ninguém os chamando. Disse três vezes ao gerente do Cinemark Eldorado que ele precisava chamá-los. Ouvi dele que só o agredido poderia fazer isso e que a segurança do shopping tomaria conta da situação. O Cinemark devolveu o dinheiro de quem preferiu abandonar a sessão, ofereceu convites-cortesia e continuou o filme para quem ainda estivesse no clima de ver os 10 últimos minutos de Transformers (nem um terço da sala).

Estresse suficiente para um dia, certo?

Meia hora depois, peguei um táxi para casa, lá mesmo, no Eldorado. Contei ao taxista a história toda. Ele disse que tinha ouvido caso parecido em um cinema de Taboão da Serra e começou a falar que estávamos criando uma geração de crianças mal educadas, de garotos mimados. Concordei, meio que para cortar o assunto.

Mas ele continuou (minha estratégia de cortar papo com taxista é um fracasso) e começou a dar exemplos do conceito dele de malcriação. “Veja só o tanto de garotos que saem por aí abraçados com outros garotos em vez de procurar uma mulher para constituir família… Em vez de arrumarem uma mulher, viram gayzinhos”.

Minha paciência para taxistas reaças costuma ser bem maleável, mas não deu. Respondi que ser gay não tinha absolutamente nada a ver com má-criação ou má-educação, e que ele estava enganado. Ele retrucou: “Ah, não? Veja bem, como se formam países?”.

Não entendi a colocação, mas ele esperava que eu respondesse “com famílias”, porque é esse o discurso que Bolsonaros repetem por aí todos os dias. Porque ele acredita que gays destroem as famílias. Que gays se multiplicam o tomam o espaço de heterossexuais. Que heterossexuais não procriam mais por causa dos gays. Que a população mundial parou de crescer desde que dois homens treparam pela primeira vez. Que gays são uma ameaça à nação.

Respondi à pergunta dele com “Espero que um país bom se forme com menos pessoas como o senhor à solta”. Complementei dizendo a ele que sou gay e que gays existem desde sempre. Parado num semáforo da Paulista, o taxista ficou sem reação. Só conseguia balbuciar “veja bem, não quis te ofender”, que é o que gente covarde assim responde quando se vê confrontada pela primeira vez.

Pedi que ele parasse o carro, tirei uma nota de 20 do bolso e perguntei:

– Você aceita dinheiro de gay?

Ele não respondeu. Depois de eu ameaçar abrir a porta do carro em movimento, ele parou. Fiz questão de pagar a corrida e joguei a nota de 20 reais no banco da frente (até ali, o taxímetro marcava 18).

Se vou para o inferno por ser gay e “destruir nações”, imagino que terei a companhia de gente como esse taxista, que aceita o meu dinheiro sem reclamar.

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01/01Os álbuns e os shows de 2010

Para mim, foi o melhor ano que já tive em música: o ano dos shows que eu sempre quis ver, dos discos que eu voltei a colecionar, dos amigos que eu fiz por causa dessa paixão em comum. Sem mais enrolações, as listinhas de álbuns e shows de 2010 (valem os que vi fora do país também):

ÁLBUNS

  1. Jeneci –Feito Pra Acabar
  2. Kanye West –My Beautiful Dark Twisted Fantasy
  3. Ariel Pink’s Haunted Graffiti –Before Tonight
  4. The National –High Violet
  5. Arcade Fire –The Suburbs
  6. Janelle Monáe –The Archandroid
  7. LCD Soundsystem –This Is Happening
  8. Wolf Parade –Expo 86
  9. Beach House –Teen Dream
  10. Deerhunter –Halcyon Digest

Para ver os outros 75 discos da lista, clique aqui.

SHOWS

  1. of Montreal – Planeta Terra, São Paulo
  2. LCD Soundsystem – Pitchfork Festival, Chicago
  3. Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Lincoln Hall, Chicago
  4. Pavement – Pitchfork Festival ou Planeta Terra
  5. Pixies – Maquinaria Festival, Santiago
  6. Dinosaur Jr.  – As duas noites, Comitê Club, São Paulo
  7. Wolf Parade – House of Blues, Boston
  8. Beach House – Pitchfork Festival, Chicago
  9. Queens of the Stone Age – Maquinaria Festival, Chile
  10. Paul McCartney – O combo Porto Alegre, São Paulo e a participação especial no show do Ringo

Também inesquecíveis: Ringo Starr no Radio City Music Hall, em Nova York; Titus Andronicus no Pitchfork Festival e no Subterranean, em Chicago; Broken Social Scene no Pitchfork Festival; Rage Against the Machine no Estadio Bicentenario, em Santiago; Lou Barlow no Espaço Mais Soma, São Paulo; Green Day no Anhembi, São Paulo; Massive Attack no HSBC Brasil, São Paulo; Mika no Planeta Terra, São Paulo; Eminem no F1 Rocks, São Paulo. E mais vídeos você pode ver aqui.

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20/12Melhores filmes de 2010

2010 foi o ano em que menos fui ao cinema, mas até consegui fazer essa lista de 30 melhores filmes com certa rapidez. Vá entender…

O critério são filmes lançados em circuito brasileiro em 2010, por isso anomalias como À Prova de Morte aparecem por aqui. Não faça beicinho. A lista é minha.

  1. Coco Chanel e Igor Stravinsky(idem, de Jan Kounen)
  2. José e Pilar(idem, de Miguel Gonçalves Mendes)
  3. Scott Pilgrim contra o Mundo(Scott Pilgrim vs the World, de Edgar Wright)
  4. A Estrada(The Road, de John Hillcoat)
  5. Como Treinar Seu Dragão(How To Train Your Dragon, de Peter Hastings)
  6. Procurando Elly(About Elly, de Asghar Farhadi)
  7. O Que Resta do Tempo(The Time That Remains, de Elia Suleiman)
  8. Invictus(idem, de Clint Eastwood)
  9. Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar(Gake no ue no Ponyo, de Hayao Miyazaki)
  10. Os Famosos e os Duendes da Morte(idem, de Esmir Filho)
  11. Meu Mundo em Perigo(idem, de José Eduardo Belmonte)
  12. Ilha do Medo(Shutter Island, de Martin Scorsese)
  13. Tropa de Elite 2(idem, de José Padilha)
  14. Vencer(Vincere, de Marco Bellocchio)
  15. Machete(idem, de Robert Rodriguez)
  16. A Origem(Inception, de Christopher Nolan)
  17. A Fita Branca(The White Ribbon, de Michael Haneke)
  18. O Escritor Fantasma(The Ghost Writer, de Roman Polanski)
  19. Vício Frenético(Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, de Werner Herzog)
  20. O Segredo dos Seus Olhos(El Secreto de Sus Ojos, de Juan José Campanella)
  21. A Caixa(The Box, de Richard Kelly)
  22. As Melhores Coisas do Mundo(idem, de Laís Bodanzky)
  23. A Rede Social(The Social Network, de David Fincher0
  24. Mary & Max(idem, de Adam Elliot)
  25. Um Homem Sério(A Serious Man, de Joel e Ethan Coen)
  26. Guerra ao Terror(The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow)
  27. Mother(Madeo, de Bong Joon-ho)
  28. À Prova de Morte(Death Proof, de Quentin Tarantino)
  29. Toy Story 3(idem, de Lee Unkrich)
  30. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo(idem, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes)

Bônus 1: A lista de filmes que um monte de gente adorou e eu não. De alguns deles eu até gosto, só não os venero. O critério aqui é irritar o maior número possível de pessoas, acho. É a tradicional lista “Não, obrigado”, sem ordem de (falta de) preferência:

Amor Sem Escalas (Up in the Air, de Jason Reitman)

Direito de Amar (A Single Man, de Tom Ford)

Educação (An Education, de Lone Scherfig)

Eu Matei Minha Mãe (J’ai Tué Ma Mère, de Xavier Dolan)

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, de Jon Favreau)

Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, de Spike Jonze)

Preciosa (Precious, de Lee Daniels)

Sherlock Holmes (idem, de Guy Ritchie)

Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones, de Peter Jackson)

Zona Verde (Green Zone, de Paul Greengrass)

Bônus 2: raiva & sangue! Os piores e mais estúpidos filmes de 2010!

  1. Sex and the City 2(idem, de Michael Patrick King)
    2. Um Sonho Possível (The Blind Side, de John Lee Hancock)
    3. O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprentice, de Jon Torteltaub)
    4. Nosso Lar (idem, de Wagner de Assis)
    5. Shrek para Sempre (Shrek Forever After, de Mike Mitchell)
    6. Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos (idem, de Paulo Halm)
    7. Nine (idem, de Rob Marshall)
    8. Lula, O Filho do Brasil (idem, de Fábio Barreto)
    9. A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, de Samuel Bayer)
    10. O Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (Prince of Persia: Sands of Time, de Mike Newell)

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16/1230 músicas para lembrar de 2010

O ano nem acabou e eu sei que vocês não aguentam mais mixtapes, mas fiz esta basicamente para que daqui uns 15 anos eu possa me lembrar de 2010 com a riqueza de detalhes que só memórias evocadas por músicas são capazes de proporcionar.

Já tinha enviado 13 das minhas favoritas de 2010 ao blog do Rodrigo Salem, mas eu precisava de mais. O meu ano não cabe em 13 canções.

Uma mixtape que começa com o chiclete do Free Energy, passa pelas sombras do Deerhunter (a minha preferida da lista) e termina com a psicodelia eletrônica do Caribou não faz muito sentido, mas essas músicas guardam momentos do meu ano e estão aqui por isso (pra variar, ando ouvindo e gostando de música sem o menor critério racional – 2009 foi igualzinho).

Gosto dessas canções porque elas deram graça a momentos banais, confortaram em momentos de mimimi e fizeram sentido no meio da confusão.

E ainda pude ouvir cerca de metade delas sendo executadas ao vivo,  um privilégio. 2010 foi um belo ano pra shows.

Tenho certeza de que vocês podem gostar de uma ou outra coisa perdida aí no meio.

Para baixar, clique aqui (o arquivo tem 263mb e está compactado em rar).

  1. Free Energy – Bang Pop
    2.    Marina & the Diamonds – Shampain
    3.    Of Montreal – Sex Karma
    4.    Robyn – Fembot
    5.    The Arcade Fire – Sprawl II
    6.    Wolf Parade – What Did My Lover Say?
    7.    Broken Social Scene – Art House Director
    8.    Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Round and Round
    9.    Surfer Blood – Swim
    10.    Wavves – King of the Beach
    11.    Tame Impala – Lucidity
    12.    The Black Keys – The Only One
    13.    Titus Andronicus – A More Perfect Union
    14.    The Dead Weather – The Difference Between Us
    15.    The National – Afraid of Everyone
    16.    Deerhunter – Desire Lines
    17.    Beach House – Silver Soul
    18.    Delorean  – Real Love
    19.    LCD Soundsystem – I Can Change
    20.    Miami Horror – Summersun
    21.    Crystal Castles – Baptism
    22.    M.I.A. – XXXO
    23.    Kanye West – Runaway
    24.    Kid Cudi – Ashin’ Kusher
    25.    Janelle Monáe – Tightrope
    26.    Tulipa Ruiz – Efêmera
    27.    Marcelo Jeneci – Pra Sonhar
    28.    Warpaint – Undertow
    29.    Local Natives – Airplanes
    30.    Caribou – Odessa

Para quem se importa (alguém?), logo logo solto listinhas de filmes, shows e álbuns também.

Por Diego Maia | Temas: Música | 1 comentário

07/07Ringo e Paul

Vim passar uns dias de férias em Nova York já com ingresso comprado para ver Ringo Starr & His All-Starr Band no Radio City Music Hall. Foi hoje, 07 de julho, dia do aniversário de 70 anos do Ringo. Mas (roll the drums! Preparem o filtro anti-clichês!), apesar da festa ser dele, quem ganhou o presente fomos nós, a plateia:

Era essa a visão que eu tinha do mezanino. A foto é minha mesmo.

Para espanto geral do Radio City, Paul McCartney subiu ao palco no bis para puxar “Birthday”. Ele assumiu os vocais enquanto Ringo cuidou da bateria. Alguns minutos antes, Yoko Ono e mais umas 50 pessoas invadiram o mesmo palco para “encerrar” a noite cantando “With a Little Help From My Friends”.

Ringo & Paul

Yoko, Paul e Ringo no mesmo palco.

Consegui registrar em vídeo e fotos (como essa de cima) as duas participações especiais bombásticas – e não divulgadas pela organização. Assim que a conexão do hotel permitir, subo no YouTube.

Porque esse é o tipo de coisa que merece ser eternizada e compartilhada com o maior número possível de pessoas. Cadê minha camiseta de “Eu fui!”?

ATUALIZAÇÃO: O video de Birthday!

Mais vídeos aqui. E mais fotos aqui.

Por Diego Maia | Temas: Uncategorized | 2 comentários

30/06Nova York – dia 2

9h30: segui para o metrô da 51st com Lexington, minha base aqui (aliás, descobri que a cena do vestido esvoaçante de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado foi filmada ali!). Subi no trem para Uptown e desci na 86. Me localizar na rede está cada vez mais fácil – é bem simples depois que você finalmente repara que, em boa parte das estações, um trilho é dividido por mais de uma linha (o que não ocorre no metrô de São Paulo, por exemplo). Parei na Dean & Deluca, na 85, e comprei um sanduíche de presunto de parma, suco de laranja e chocolate. Levei tudo para comer ali na frente do Met, porque a Tati me convenceu de que imitar Gossip Girl é legal (haha).

Entrei no Met com o Citypass e gastei umas três horas só no primeiro piso: ala egíppcia, ala romana, arte bizantina, arte da Oceania, arte moderna, arte contemporânea. No segundo, exposição de Picasso (com The Dreamer em destaque) e algumas das fotografias urbanas mais bacanas que já vi: “Hipsters, Hustlers, and Handball Players”, do Leon Levinstein. E mais arte moderna, contemporânea, diversos Monet, Manet, Modigliani, autorretrato de Van Gogh. Tanta informação que saí de lá exausto, quatro horas depois de ter entrado. Voltei para o hotel de táxi (o primeiro que peguei aqui), tomei um banho, postei umas bobagens no Twitter e segui para a estação da 51st, com destino à South Ferry Station. De lá pegaria a ferry para Governor’s Island, pra ver o Passion Pit e o Tokyo Police Club. Os barcos para Staten Island também saem de lá. Não que você, turista, precise saber disso.

Esperei uns 40 minutos no sol, aguardando o embarque na ferry, e, pra passar o tempo, contei o número de Wayfarers na fila (infinito + 1). Embarquei e vi o skyline do lado sul da ilha enquanto nos aproximávamos de Governor’s Island. Bonito.

Na bilheteria de will call, finalmente encontrei o Lucas Penido (obrigado pela companhia, Lucas!). Comemos o Philly Cheese Steak mais caro do universo visível e invisível e sentamos no gramado enquanto as bandas de abertura da banda de abertura se apresentavam. Não sei o nome, mas gostei da segunda.

(A Tati acaba de lembrar: We Were Promised Jetpacks. Escoceses. Bons.)

Me despedi do Lucas, que precisava ir embora, e acho que entreguei por engano uma nota de 100, em vez de uma de 10, para a garota que vendia água a 4 dólares.

Melhor não pensar nisso.

Governor’s Island, nada a ver com a homônima carioca, é uma ilha pouco visitada por turistas. Fica a 10 minutos de barco de Manhattan e só abre nos meses quentes. Tem gramados, praia, aluguel de bicicletas, casarões de 2 séculos, um castelinho e uma alameda linda, a Colonel’s Row, muito usada pra shows. Vejam que beleza de lugar. Hoje, o Tokyo Police Club e o Passion Pit (no encerramento da pequena turnê que fizeram juntos) reuniram 7500 pessoas por lá – o maior público da carreira do Passion Pit, segundo o vocalista (como eu era uma das pessoas mais velhas ali, só posso concluir que o teaser de Little Big Planet 2 surtiu efeito).

A ilha é  um lugar bonito, perfeito para um show desse porte, mas com um problema: como tirar essa gente toda de lá rapidamente, depois que o concerto acaba? Preferi não confiar na organização, impecável até então, e, antes do show terminar, me dirigi até o pier para pegar a ferry de volta para Manhattan. Perdi a última música do Passion Pit (Sleepyhead, creio), e posso dizer que foi à toa: a volta foi bem tranquila. Retornei à linha 1 do metrô pela South Ferry Station.

Parei num Applebee’s na Broadway, altura da 50 St. Comi em 30 minutos e voltei para o hotel. Tenho bolhas nos pés e uma ameaça de cãimbra na panturrilha esquerda. Fiz um video do Passion Pit mas não dá pra subi-lo com a lentidão da internet do hotel. A noite de sono promete.

PS: Esqueci de dizer que, ontem, parei também na St. Patrick’s Cathedral pra agradecer por toda a diversão. Custa nada, não é?

Por Diego Maia | Temas: Uncategorized | 4 comentários

29/06Nova York – dia 1

Passei a noite em claro zapeando pelos canais do 777 da American Airlines. Desembarquei no JFK às 6h05 depois de 9 horas e 40 minutos de um voo chato e lotado. Ensinei algumas palavras em inglês a um cara – que Tati Contreiras, minha querida companheira de viagem, genialmente apelidou de “Eliéser de Itapira” – e aguardei cerca de uma hora na imigração. Respondi apenas duas perguntas ao oficial: “Férias?” (resposta: Sim) e “Primeira vez aqui?” (resposta: Sim). Peguei o Air Train para Jamaica Station. Em Jamaica Station, peguei o trem E do metrô para a Lexington Avenue com a 53rd St. Suei feito um porco depois de carregar duas malas por corredores quentes (30 graus celsius na superfície, uns 40 nas estações subterâneas). A Linha E apresentou algum problema – falaram em “incidente” e lembrei de Lost – que fez o trem parar a cada 5 minutos. Quem precisava chegar logo ao trabalho aparentava impaciência. Eu xingava mentalmente o filho da puta que provavelmente havia se atirado na linha do trem e atrasado a vida de tanta gente. Demorei uma hora e meia num trajeto que, normalmente, leva 30 minutos. Desci na 51st, dei de cara com uma equipe de TV gravando algo com 3 tiazonas em seus mid 50s, trouxe as malas para o hotel e, enquanto o quarto ainda não estava disponível,1) liguei para o meu pai para dizer que estava vivo e bem, 2) fui comer um sanduíche de pastrami na deli da esquina (Pax, bem decente), 3) dei uma volta pelas redondezas, 4) descobri, num raio de 50 metros do hotel, uns 5 pubs que exibirão o jogo do Brasil sexta e 5) conheci o prédio da ONU, a 3 quadras daqui. Voltarei lá para fazer o tour completo. Ao meio dia, retornei ao hotel, subi para o quarto, deixei gorjeta para o bellboy, tomei um banho, dormi até as 16h e fui para o Rockefeller Center. No caminho, dei umas voltas pela Park Avenue e pela 5th. Entrei na Grand Central Station. Rolou uma lagriminha. Não resisti à Best Buy da 5th, não longe dali, e garanti as encomendas de uma amiga, comprei um blu-ray de Toy Story e implorei que Tati me arrastasse de lá.  Finalmente no Rock, comprei o NY City Pass (que dá direito a 6 atrações da cidade por um preço bem bacana), subi ao topo em 50 segundos, me emocionei com a vista perfeita do Central Park, fiz dezenas de fotos, sentei e esperei alguns minutos para a luz do verão americano espalhar sombras pela cidade toda.

E que cidade..

Desci, passei pela lojinha que lembra a saída de alguma atração Disney (tem até foto no fim da “ride”), tirei foto da Tati na frente da Dean & Deluca (ela é fã de Felicity), babei com os gifts da loja da NBC (The Office! Friends!), fui à loja da Lego ali do lado, comprei um chaveiro de um stormtrooper e, a caminho do hotel, parei em uma grocery simpática (Azure, esquina da 3rd com a 51st), comprei Ben & Jerry’s de baunilha, subi no terraço do Pod (onde tirei essa foto) e matei o sorvete. Saí de novo. Comprei um metrocard para viagens ilimitadas por duas semanas (a máquina pediu meu zip code; digitei 90210), peguei o E train em direção ao Theater District, trombei em dezenas de pessoas que lotavam a Broadway e a Times Square às 22h, resolvi que vou ver American Idiot, vi um clone da Peggy Bundy de “Married With Children”, comprei 4 camisetas vagabundas por 20 dólares, comi uma pizza no John’s Pizzeria, voltei para o hotel, me irritei com a internet lenta e descobri que sexta tem show do Faith No More em Williamsburg.

[[fim do dia 1]]

Por Diego Maia | Temas: Uncategorized | 6 comentários

14/03Top 100 – Filmes dos anos 2000

Listinha pedida pelo Chico Fireman e compilada com os tops de outros cinéfilos aqui.  O resultado do conjunto é bem melhor que o meu, mas aí estão meus 100 preferidos dos últimos 10 anos, contando de 2000 até o final de 2009:

  1. Dogville (Lars Von Trier, 2003)
    2. Caché (Michael Haneke, 2005)
    3. Kill Bill – Vol 1 (Quentin Tarantino, 2003)
    4. Edifício Master (Eduardo Coutinho, 2002)
    5. Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)
    6. A Última Noite (Spike Lee, 2002)
    7. A Vida Marinha com Steve Zissou (Wes Anderson, 2004)
    8. A Menina Santa (Lucrecia Martel, 2004)
    9. O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001)
    10. Não Estou Lá (Todd Haynes, 2007)
  2. Amor à Flor da Pele (Wong Kar-Wai, 2000)
    12. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
    13. A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
    14. Terra dos Mortos (George Romero, 2005)
    15. Elefante (Gus Van Sant, 2003)
    16. O Prisioneiro da Grade de Ferro (Paulo Sacramento, 2004)
    17. Sobre Meninos e Lobos (Clint Eastwood, 2003)
    18. Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)
    19. O Hospedeiro (Bong Joon-Ho, 2006)
    20. Amantes Constantes (Philippe Garrel, 2005)
  3. Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)
    22. Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)
    23. Jogo de Cena (Eduardo Coutinho, 2007)
    24. Redacted (Brian De Palma, 2007)
    25. Shortbus (John Cameron Mitchell, 2006)
    26. Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2003)
    27. Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)
    28. AI – Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001)
    29. Em Busca da Vida (Jia Zhang Ke, 2006)
    30. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
  4. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (Karim Ainouz e Marcelo Gomes, 2009)
    32. Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)
    33. Um Filme Falado (Manoel de Oliveira, 2003)
    34. Chumbo Grosso (Edgar Wright, 2007)
    35. Wall-E (Andrew Stanton, 2008)
    36. Amantes (James Gray, 2008)
    37. Femme Fatale (Brian De Palma, 2002)
    38. Pulse (Kiyoshi Kurosawa, 2001)
    39. O Pântano (Lucrecia Martel, 2001)
    40. O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)
  5. A Leste de Bucareste (Corneliu Porumboiu, 2006)
    42. A Espiã (Paul Verhoeven, 2006)
    43. À Prova de Morte (Quentin Tarantino, 2007)
    44. Onde os Fracos Não Têm Vez (Ethan e Joel Coen, 2007)
    45. Antes do Pôr-do-Sol (Richard Linklater, 2004)
    46. As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000)
    47. Audition (Takashi Miike, 2000)
    48. O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (Peter Jackson, 2003)
    49. O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005)
    50. Corpo Fechado (M. Night Shyamalan, 2000)
  6. A Concepção (José Eduardo Belmonte, 2005)
    52. Antes que o Diabo Saiba Que Você Está Morto (Sidney Lumet, 2007)
    53. Oldboy (Park Chan-Wook, 2003)
    54. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004)
    55. O Sabor da Melancia (Tsai Ming-Liang, 2005)
    56. O Céu de Suely (Karim Ainouz, 2006)
    57. Memórias de um Assassino (Bong Joon-Ho, 2003)
    58. Santiago (João Moreira Salles, 2007)
    59. King Kong (Peter Jackson, 2005)
    60. Primer (Shane Carruth, 2004)
  7. Os Outros (Alejando Amenábar, 2001)
    62. O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
    63. Ônibus 174 (José Padilha, 2002)
    64. Ninguém Pode Saber (Hirokazu Koreeda, 2004)
    65. A Vila (M. Night Shyamalan, 2004)
    66. Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, 2001)
    67. Escola de Rock (Richard Linklater, 2003)
    68. As Cinco Obstruções (Jorgen Leth e Lars Von Trier, 2003)
    69. Colateral (Michael Mann, 2004)
    70. Zodíaco (David Fincher, 2007)
  8. Tarnation (Jonathan Caouette, 2003)
    72. A Hora do Show (Spike Lee, 2000)
    73. Team America (Trey Parker, 2004)
    74. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)
    75. O Invasor (Beto Brant, 2002)
    76. O Equilibrista (James Marsh, 2008)
    77. Ratatouille (Brad Bird, 2007)
    78. Intervenção Divina (Elia Suleiman, 2002)
    79. Huckabees – A Vida é uma Comédia (David O. Russell, 2004)
    80. Dolls (Takeshi Kitano, 2002)
  9. O Lutador (Darren Aronofsky, 2008)
    82. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburger, 2006)
    83. Amnésia (Christopher Nolan, 2000)
    84. Kung-Fusão (Stephen Chow, 2004)
    85. The Brown Bunny (Vincent Gallo, 2003)
    86. Match Point (Woody Allen, 2005)
    87. Brick (Rian Johnson, 2005)
    88. Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)
    89. A Criança (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2005)
    90. Tropa de Elite (José Padilha, 2007)
  10. Em Paris (Christophe Honoré, 2006)
    92. Bug (William Friedkin, 2006)
    93. Avatar (James Cameron, 2009)
    94. Borat (Larry Charles, 2006)
    95. O Nevoeiro (Frank Darabont, 2007)
    96. Serras da Desordem (Andrea Tonacci, 2006)
    97. Estamos Bem Mesmo Sem Você (Kim Rossi Stuart, 2006)
    98. Vocês os Vivos (Roy Andersson, 2007)
    99. Dear Zachary (Kurt Kuenne, 2008)
    100. Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)

Por Diego Maia | Temas: Uncategorized | 2 comentários

08/029 meses num dia da marmota desarmando bombas no Iraque

O que pessoas normais fazem em 9 meses?

O período remete imediatamente ao tempo da gestação humana. Pessoas têm um filho (ou dois, ou três) em 9 meses!

Outras cursam um ano inteiro numa universidade. Algumas dão uma volta ao mundo, reformam um apartamento, compram um Playstation 3, mudam de emprego, se livram de um câncer, assistem a temporadas completas de Big Bang Theory e Battlestar Galactica, seguem em frente.

Eu não. Eu retorno ao passado. Todo dia, sem falta, retomo do ponto em que paramos há 270 dias, como se absolutamente nada de novo tivesse acontecido nesse período. Puxo conversa, convido, reclamo, tiro sarro, brigo, xingo, tento agradar para pedir desculpas – exatamente nesta ordem. Vivo num eterno dia da marmota. Não deixo o samba morrer.

Até prometo a mim mesmo que não farei nada disso no dia seguinte (e curioso como essas promessas de curta duração parecem fazer parte do mecanismo diabólico que alimenta o meu personal-groundhog-day). Mas só recupero a consciência depois que a primeira mensagem saiu do meu celular, como se digitada em um transe muito mais forte que minha autoconfiança. Ouço sininhos, acordo, releio a mensagem na caixa de Enviados e penso que, puts, “poderia ter evitado mais essa”.

É uma rotina exaustiva. Mas a gente se acostuma a qualquer situação desconfortável, não? 14 horas de trabalho diárias, banhos gelados, falta de dinheiro… Até a coreografia de Single Ladies parece mais simples depois de repetida à exaustão.

Então como não se acostumar a um desconfortozinho no peito toda vez que te relembro? E que mal há em sentir uma falta de ar repentina sempre que te vejo cruzando a rua, 20 metros distante, fones nos ouvidos e completamente concentrado no caminho, sem a menor chance de me notar? Ela, a falta de ar, vai passar e voltar no dia seguinte, tudo bem. Mas eu continuo aqui, vivinho da silva.

Se vocês assistiram a The Hurt Locker, devem ter notado como o personagem principal, um sargento do exército americano, sente prazer ao trabalhar desarmando bombas, ainda que a atividade coloque sua vida em risco diariamente.

Pois bem. Acho que que sinto prazer em rodear a bomba todos os dias, sem a menor vontade de desarmá-la.

E a esperança (ela existe, porque este é um texto otimista!) é a de que, um dia, eu me canse de ir até ela e arranje sarna para me coçar em outro lugar.

Irã, here we go!

(nade pra chegar ao fim. O Surfer Blood garante que é divertido, apesar de a gente não sabe o que tem lá)

Por Diego Maia | Temas: Aleatórias | 7 comentários

02/0135 músicas que me acompanharam em 2009

Dinosaur Jr: paixão tardia

Minha listinha de melhores discos de 2009 você talvez tenha visto aqui. Foi atualizada ao longo do ano inteiro, infelizmente – e novamente – com menos álbuns do que eu gostaria de ter ouvido.

A de canções segue agora. Pincei, desses discos do ano, as músicas que me acompanharam em 2009 – nas caminhadas para o trabalho, nas festas, nas viagens, na montanha-russa de emoções em que se transformou meu segundo semestre. Foi divertido notar, ao compilar a lista, como cada uma dessas canções remete imediatamente a períodos bem específicos do meu ano.  (já “I’ll Fight”, do Wilco, atemporal, me lembra alguém mesmo).

O disco que não saiu do repeat no iPod foi “Farm”, do Dinosaur Jr. Pra mim, a melhor coisa que tio Mascis & cia já fizeram na vida (mas não deixem os outros fãs saberem disso, eles são mais conservadores do que eu).

É uma lista pessoal e passional, mas com boa dose de obviedade. “Lisztomania”, do Phoenix, está em todas, mas quem tem coragem de deixar música tão redondinha de fora? E como ignorar “Two Weeks”, do Grizzly Bear, e seus arranjos de encher o coração?

A compilação das 35 músicas você pode baixar aqui. Tem 245 mb e uma playlist que organiza as canções numa ordem que faz certo sentido pra mim. Hospedado no Megaupload, porque o Rapidshare não aceita arquivos com mais de 200 mb.

A seleção:

  1. Camera Obscura – French Navy
    2. Banda Gentileza – O indecifrável mistério de Jorge Tadeu
    3. Generationals – When They Fight They Fight
    4. Morrissey – All You Need is Me
    5. Phoenix – Lisztomania
    6. Móveis Coloniais de Acaju – Lista de Casamento
    7. Peter Bjorn and John – Nothing to Worry About
    8. Super Furry Animals – The Very Best of Neil Diamond
    9. Wilco – I’ll Fight
    10. Yeah Yeah Yeahs – Zero
    11. The Pains of Being Pure at Heart – Young Adult Friction
    12. The xx – Islands
    13. Grizzly Bear – Two Weeks
    14. Dirty Projectors – No Intention
    15. Wild Beasts – This is Our Lot
    16. Franz Ferdinand – Lucid Dreams
    17. Passion Pit – Sleepyhead
    18. 80kidz – Miss Mars
    19. La Roux – I’m Not Your Toy
    20. Girls – Hellhole Ratrace
    21. Telepathe – So Fine
    22. Animal Collective – Brothersport
    23. Handsome Furs – I’m Confused
    24. Julian Casablancas – 11th Dimension
    25. Jumbo Elektro – Eh o Zizi
    26. Major Lazer – Keep It Goin’ Louder
    27. MSTRKRFT feat N.O.R.E. & Isis – Bounce
    28. Sparklehorse & Dangermouse – Little Girl
    29. YACHT – The Afterlife
    30. The Gossip – Love Long Distance
    31. Arctic Monkeys – Dangerous Animals
    32. Japandroids – Young Hearts Spark Fire
    33. Sonic Youth – Anti-Orgasm
    34. Them Crooked Vultures – Dead End Friends
    35. Dinosaur Jr – Pieces

***
De bônus, mais duas listinhas:

5 melhores shows do ano

  1. Radiohead(março, Just a Fest, Chácara do Jockey)
    2. Franz Ferdinand (setembro, The Week)
    3. Friendly Fires (agosto, Popload Gig 2, Studio SP)
    4. Dirty Projectors (dezembro, Clash Club)
    5. Metronomy (novembro, Planeta Terra, Playcenter)

5 decepções
1. Show do Primal Scream no Planeta Terra
2. “Volta” do Los Hermanos no Just a Fest
3. Them Crooked Vultures
4. Show do Oasis no Anhembi
5. A ausência de um espaço decente para shows de médio porte em São Paulo. Só temos o Anhembi (e seu sistema de som porco) e a Chácara do Jockey (e a lama, o trânsito infernal, as passagens estreitas…)?

Por Diego Maia | Temas: Música | Comente

30/129 vídeos de 2009

  1. Grizzly Bear – “Two Weeks”

Enfiados numa igreja e transformados em algo parecido com assustadores bonecos de ventríloquo, os membros do Grizzly Bear têm uma espécie de orgasmo de luz no clímax de uma das melhores canções do ano. Não é pra entender. Arte.

  1. Lenny Kravitz – “Let Love Rule” (Justice Remix)

Metalinguagem na sua Sessão da Tarde oitentista preferida (e parabéns aos picaretas do Justice por tornarem palatável algo vindo de Lenny Kravitz )

  1. Massive Attack – “Paradise Circus

Aos 73 anos, a ex-atriz pornô Georgina Spelvin dá seu depoimento sobre sua participação no clássico erótico “The Devil in Miss Jones”. Hope Sandoval canta ao fundo, mas ninguém nota, porque Georgina ama a câmera e a câmera ama Georgina.

  1. Dinosaur Jr – “Over It

J Mascis e Lou Barlow andando de skate e bicicleta numa tarde de verão. A vida é linda, mesmo com a ajuda de dublês. (O lado B sombrio do clipe é este vídeo do Unkle, “Heaven”)

  1. Passion Pit – “The Reeling

Tão “gasto” que dá a impressão de que vai desmanchar. E se desmancha. E aí vira uma animação ao estilo das melhores coisas que Michel Gondry, inspiração clara, já fez.

6. Matt & Kim – “Lessons Learned”

Uma câmera rodando em alta velocidade na mão, nada no corpo e na cabeça.

  1. Fever Ray – “If I Had a Heart

É como se John  Carpenter tivesse assistido, adorado e se inspirado em toda a filmografia de Ingmar Bergman.

  1. Major Lazer – “Pon de Floor

Eric Wareheim, ídolo hipster, faz a versão mais “safe for work” de seus vídeos alucinógenos NSFW. Quanto tempo até Lady Gaga contratá-lo?

  1. Lady Gaga – “Bad Romance

Já que tocamos no assunto e é impossível fugir dela, que fique registrado que o vídeo da canção mais grudenta e insuportável de 2009 é ridículo, cafona, consciente disso e bem humorado como pouca coisa a surgir no YouTube este ano. Gaga só se diferencia das outras porque se leva pouco a sério. Aqui, isso fica evidente.

Por Diego Maia | Temas: Música | 3 comentários

24/12Os melhores filmes de 2009

Nada como uma lista para trazer à vida um blog morimbundo!

2009 deve ter sido o ano em que menos assisti a filmes na última década, mas a lista está aí, firme e forte. Certeza mesmo, só do primeiro colocado. Um monstruoso primeiro colocado.

Valendo só filmes que entraram em circuito nos cinemas brasileiros em 2009.

  1. Eu Te Amo, Cara (John Hamburg, 2009)

A “nova geração” do humor americano atinge a maturidade na comédia romântica do ano.

  1. Vocês, os Vivos (Roy Andersson, 2007)

A vida, essa série de esquetes nonsense.

  1. Se Nada Mais Der Certo (José Eduardo Belmonte, 2008)

Porque o que vale é o caminho. E quem você acolhe ao longo dele.

  1. Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, 2008)

Um tilt bem humorado nas engrenagens da ficção e do documentário.

  1. 2012 (Roland Emmerich, 2009)

Declaração de amor aos filmes-catástrofe na forma de uma catástrofe de filme. Lixo lindo.

  1. Inimigos Públicos (Michael Mann, 2009)

Remix vanguardista de um subgênero antiquado. Gângsters nunca soaram tão românticos como quando em altíssima definição.

  1. Moscou (Eduardo Coutinho, 2009)

Com “Aquele Querido Mês de Agosto”, forma a dupla responsável por colocar em xeque os mecanismos de representação e registro nos cinemas em 2009.

  1. Milk (Gus Van Sant, 2008)

Na essência, um filme a favor do direito de amar, exclusivamente.

  1. No Meu Lugar (Eduardo Valente, 2009)

Aulinha de como utilizar uma estrutura viciada (a velha artimanha das múltiplas histórias que se cruzam em determinado ponto do roteiro) a favor de um cinema que foge de rótulos e do fatalismo.

  1. Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)

Sobre meninos, caçadores e lobos.

  1. Avatar (James Cameron, 2009)

Esforço épico para recuperar o prazer de se frequentar uma sala de cinema. Valeu, James Cameron. Tá tudo bem agora.

  1. O Fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson, 2009)

“Desperte o tigre em você!”

  1. O Equilibrista (James Marsh, 2008)

Entre a arte e a loucura, aquela linha tênue.

  1. Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008)

Sala de aula, um campo de batalha.

  1. Up – Altas Aventuras (Pete Docter e Bob Peterson, 2009)

Pessoas vão, sonhos ficam. Encharquei os óculos 3D.

  1. Polícia, Adjetivo (Corneliu Porumboiu, 2009)

Adjetivo: “Que serve para modificar um substantivo, acrescentando uma qualidade, uma extensão ou uma quantidade àquilo que ele nomeia (diz-se de palavra)”

  1. O Lutador (Darren Aronofsky, 2008)

Aronofsky sóbrio fez um grande réquiem para uma estrela decadente.

  1. Amantes (James Gray, 2008)

Um perdido numa noite suja

  1. Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)

Chupa, Crepúsculo!

  1. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)


Chupa, Hitler! (mas sim, Quentin, também acho que esta seja a sua obra-prima)

E mais:

Quase chegaram lá: Arraste-me para o Inferno, As Ervas Daninhas, Beijo na Boca, Não!, Star Trek, Abraços Partidos, A Troca, O Casamento de Rachel, Simplesmente Feliz, Sinédoque, Nova York,

Não, obrigado: Apenas o Fim, Quem Quer Ser Um Milionário?, Watchmen, Presságio, O Leitor.

Lixo tóxico: W., Budapeste, The Spirit, Transformers – A Vingança dos Derrotados, O Grupo Baader Meinhof, Os Normais 2, Salve Geral, Se Eu Fosse Você 2, O Solista, Do Começo ao Fim, Gamer.

Fail cinematográfico do ano: distribuidor não exibiu Guerra ao Terror nos cinemas, lançando-o diretamente em DVD.

Por Diego Maia | Temas: Cinema | 8 comentários

22/06Twittess, Mirian Bottan e Aline Lii na VIP de julho

E o Twitter vira fonte de diversão para adultos heterossexuais!

Tessália SerighelliMirian Bottan Aline Liii, três das garotas mais seguidas/comentadas/gatas da twittosfera, são estrelas de um ensaio da revista VIP, da editora Abril, de julho. A publicação chega às bancas nesta sexta-feira (26). Mirian e Aline foram fotografadas em São Paulo por Fausto Roim; Tessália foi clicada no Rio em Curitiba por David Peixoto.

Não posso contar exatamente como se deu a seleção das três para o ensaio, mas cheguei a sugeri-las para a redação.

Em breve, as fotos por aqui.

(quatro dias depois) ATUALIZAÇÃO

Eis Aline Lii em uma foto feita no ensaio mas que acabou não entrando na edição impressa (na revista há outras imagens inéditas da moça):

Peguei lá no Desculpe a Poeira, ótimo blog do Ricardo Lombardi, diretor de redação da VIP.

Por Diego Maia | Temas: Internet | 7 comentários

31/05É preguiça E falta de tempo – 1

Admito: não dá para dizer que estou sem tempo porque minhas férias começaram há duas semanas. Mas, como tem acontecido com frequência desde, hum, dezembro de 2006, minha vida foi mais chacoalhada que bunda de mulher-fruta nos últimos dias. Uma delícia que me deixou sem fôlego para comentar coisas como…

… a nova revista SET. Editada por Roberto Sadovski até abril deste ano, a publicação de cinema mais tradicional do país mudou de mãos com a compra da editora Peixes pela CBM de Nelson Tanure. A nova SET, que ficou sem circular em maio, passa a ser capitaneada por um time do Jornal do Brasil (que também pertence à CBM). Mario Marques é o publisher e Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun são os editores. A revista chega às bancas em 5 de junho com “O Exterminador do Futuro: A Salvação” na capa. O sempre bom de ler Pedro Butcher é um dos novos colunistas. Não folheio a SET desde a edição de dezembro de 2003 – “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”  – e não gostava da linha “peido de super-herói vale capa”, mas a revista esteve tão ligada à minha adolescência nerd que espiarei a versão nova nem que seja para abandoná-la melancolicamente logo depois.

***

 

Falando em melancolia e mortos-vivos, assisti à “Exterminador do Futuro: A Salvação” na última sexta (estreia prevista para o dia 5 aqui no Bananão). Única surpresa é que o picotador-freak McG agora tenta fazer planos-sequência à la Joe Wright que resultam desajeitados e desnecessários (pense nisso se você notar que há algo de estranho na cena do helicóptero, logo no começo, e não entender bem o porquê). Christian Fucking Bale incorpora de vez a hilariante voz rouca de seu Batman, Helena Bonhan Carter faz a ponta mais constrangedora de sua carreira, Bryce Dallas Howard nos deixa morrendo de saudades de “A Vila” e só Sam Worthington salva. Vai dar um bom protagonista para “Avatar”, o sujeito. O trailer entrega a reviravolta do personagem do cara, única ideia realmente interessante e nova dessa continuação que ignora o bom terceiro filme da série.  De resto, espere por referências tristonhas aos dois primeiros longas (na trilha, nas frases de efeito e em uma bizarra “participação especial”) e por uma chuva de novos terminators – aquáticos, voadores, em forma de moto, gigantes  – capaz de entediar até adolescentes. Porque eles querem mesmo é ver “Transformers 2″ (cof cof eu também cof cof).

Guentae que já já tem mais.

Por Diego Maia | Temas: AleatóriasCinema | 6 comentários

06/04@twittess is now following you on Twitter

A curitibana Tessalia Serighelli de Castro tem 21 anos (22 a partir do próximo dia 11), uma filha (Tina, 3 anos) e uma conta com mais de 12 mil seguidores no Twitter, o que a coloca entre os 10 brasileiros mais populares na ferramenta. Se você tem um perfil por lá, é possível que, nas últimas três semanas, tenha recebido o e-mail “@twittess is now following you on Twitter” em sua caixa de entrada.

Tessalia passou a usar o Twitter com mais afinco há pouco tempo. Quase ninguém a conhecia. Mas, desde 13 de março, ela tem adicionado centenas de perfis por dia ao seu perfil. Ela conta que, no começo, fez o serviço na mão. Depois, passou a experimentar “aplicativos” que fazem o trabalho sozinho (como este script criado por Danilo Salles).

Sair adicionando centenas de perfis a esmo não é uma estratégia nova para ganhar popularidade rápida no Twitter. Mas, no caso de Tessalia, a tática parecia ainda mais pensada: a foto do perfil revela uma mulher jovem e inegavelmente atraente; o background é trabalhado; a esmagadora maioria dos updates são replies (um verdadeiro tweetchat) e aqueles que não os são contêm links para vídeos ou notícias curiosas e amenidades.

Em cerca de três semanas, Tessalia conseguiu mais seguidores que Kibe Loco, quase o mesmo que Rosana Hermann (que tem experimentado o script de Danillo Salles e escreveu a respeito em seu blog) e um pouco menos do que o humorista Danilo Gentili. O número de pessoas que ela segue é superior ao número de pessoas que a seguem (diferença de 1000, aproximadamente; o que, óbvio, indica que nem todo mundo caiu na tática).

(Os dados servem só para o  domingo, 5 de abril de 2009 – os números devem mudar rapidamente)

Em sua descrição, ela diz que passa 18 horas por dia online. Tessalia trabalha em uma agência de publicidade, cria uma filha e, ainda assim, twitta freneticamente. Sua popularidade foi conquistada tão rapidamente, e de maneira tão “artificial” (aspas, por favor), que suspeitar da veracidade de seu perfil parece ordem.

Seria uma ação para um especial “ninfeta nerd” da Playboy? A introdução de uma nova apresentadora da MTV? Um experimento de algum analista de social media brincalhão que conhece pouco de Twittiqueta? Um marmanjo peludo com muito tempo livre, que se aproveitou de fotos e perfis no Facebook e Linkedin de uma Tessalia “real”?

Neste domingo (5), no Twitter, perguntei se Tessalia toparia uma entrevista (aqui). Antes, havia ironizado – com alguma grosseria, assumo – a natureza do perfil da garota. Pedi uma entrevista com vídeo. Alguns replies depois, Tessalia me adicionou no GTalk.

Tessalia: Olá. Está ocupado agora?
Diego: Oi, Tessalia. Estou um pouco, mas podemos falar.
T: Tem alguma coisa que eu posso te responder, sem ser em vídeo?
Diego: Talvez. Mas é claro que o vídeo responderia milhares de perguntas de uma vez só.  Por que você não quer abrir a câmera?
Tessalia: Estou de pijama, com o cabelo molhado, comendo macarrão em cima do Mac ;D

Mesmo assim, engatamos um papo logo depois. A íntegra da conversa está aí:

Você é de Curitiba?
Sou sim.

É que no seu perfil no Facebook eu vi São Paulo…
Pois é. Eu mudei de cidade três vezes nos últimos três anos. Mas sou daqui mesmo. Morei em São Paulo no ano passado.

Estudou por aqui?
Não, eu trabalhei um pouco por aí. Com fotografia. Fiz freelas, conheci o mercado de publicidade. Gostei. Quero voltar.

Você trabalha com publicidade hoje?
Sou redatora em uma agência de publicidade,

Em que agência?
Na CS Revue.

Você se lembra de quando começou a usar o Twitter?
Olha, uma vez vi um gráfico por aí. Eu tinha entrado em março! Mas eu não lembro ao certo. Foi ano passado, quando começou a onda entre a galera de comunicação.
Mas eu não usava.

Você fala do seu gráfico do Twitter Grader? Lá dá pra ver que rola uma “explosão” no número de pessoas que você segue a partir de 13/03.
É, fui adicionando bastante gente quando “descobri” o Twitter. Bem o tipo de coisa que a galera fez quando rolou o Orkut.  “Vou adicionar pra ver qual é”. Mas o máximo era dois mil. Então, fui em dois mil.

Você usou algum script pra adicionar tanta gente ao mesmo tempo?
Eu vejo todo dia aplicativo novo para Twitter. De tudo quanto é tipo. E experimento todos. Mas nem por isso sigo usando. É mais pra ver qual é, e poder contar pra galera.

E, nisso, você chegou a usar algum script?
Bom, eu não sei bem o que é um script ou não. Mas eu usei de tudo. Hahaha, parece depoimento de ex-drogado.

Mas deve ser humanamente impossível clicar em dois mil botões de ‘follow” em um dia só, não?

Ah sim. Tinha aplicativos pra seguir de volta quem segue você também, essas coisas. Mas, na verdade, do dia 13 ao dia 15, que foi quando eu adicionei os dois mil, foi na “hands” mesmo. Sigo de volta quem me segue. Isso é algo que a galera leva em consideração. @GOUP @interney e @julioyam fazem isso.

Na real, alguns deles começaram a fazer isso há pouco tempo. Uma questão que me intriga, já que antes eles tinham milhares de seguidores (mas menos do que hoje) e seguiam de volta um número bem menor de pessoas…
Mas acho que tem muita gente que faz isso. Visito muitos perfis diariamente, e tem muita gente que segue de volta. Mas não tendo uns posts legais, a galera não segue. Acho que foi inspirado em como o Twitter funciona lá fora. Pra você ter ideia, aqui enquanto conversamos na janela do GMail, tô vendo os novos seguidores. Foram 53.

Sua caixa de email deve estar dando trabalho.
Eu gosto de saber quem começa a me seguir. Tem gente de fora que segue, é legal e eles vêm falar comigo. Mas gosto de ver certinho quem tá me seguindo. Fiquei superfeliz quando o @lapena veio falar comigo. Mas tem uma coisa que eu não entendo…

O quê?
É como essa galera realmente pop tem tão pouco seguidor, e esses desconhecidos fazem tanto sucesso. O @lapena tem uns dois mil, e ele é o Hélio De La Peña! Tirando a galera do CQC, eles não têm tanta fama no Twitter. Podemos apressar o papo um pouquinho?

Claro, tudo bem.
Tenho que fazer lição de casa com minha filha…

Você tem uma filha?
Sim, a Tina. Tem 3 anos ^^ Tem foto dela no Flickr do Meadiciona do meu perfil, e eu tinha o Orkut lá também. Mas eu não uso muito. Estava ficando complicado, sabe.

Sei. E como é que você arranja tempo para passar 18 horas online twittando se tem uma filha e trabalha?

Bom, eu twitto sempre que acho alguma coisa legal, e trabalho no computador, fica mais fácil.

Não te desconcentra do trabalho?
Eu uso o TwitterFox, não desconcentra não.

E ser bastante seguida, entrar no top 10 do Brasil… Tem algum propósito maior nisso tudo?
Não, eu uso para me divertir e me informar. E assim, fico a par de como as coisas acontecem nas redes sociais, algo que me ajuda no trabalho. É divertido isso, de ter vários seguidores. È muito bom, na verdade. Se quero uma opinião, é só perguntar no Twitter, que tenho uma amostra ali. Pergunto sobre filmes, coisas de meninos, e posto o que vou achando. E tenho realmente seguidores convictos, que me dão bom dia e boa noite, e sempre respondem minhas “pesquisas”. É bem legal. Acho que se eles seguem, é porque gostam

As pessoas tendem a dar unfollow quando “experimentam” e não gostam.
Sim, também acho.

Mas você não teme ficar meio “queimada” com o fato de sair adicionando todo mundo, usando programas ou não? Muita gente encara como um tipo de spam.

Eu também “experimento” as pessoas. E continuo seguindo quem eu gosto. As pessoas têm liberdade, gostam ou não gostam. É questão de escolha. Aí vai se formando a rede de seguidores reais, mas com o tempo. Agora é tudo uma experimentação. Acho que o Twitter vai superar o Orkut. Mas aí são conversas mais filosoficas :P. Olha, eu preciso ir.

Tudo bem. A gente conversa mais depois, então.
Espero que tenha esclarecido um pouco as coisas pra você. Eu não sou fake, nem um marmanjo barbudo. Sou eu mesma nas fotos, e nunca usei nenhum programa pra postar por mim. Nem TweetLater. Eu gosto de eu mesma responder os replies.

***

Fakes ou não, o surgimento de perfis como o de Tessalia, que crescem “artificialmente” (aspas, por favor), talvez jogue lama no conceito de “meritocracia informal” atribuído ao Twitter por alguns entendidos. Talvez, para ser seguido, basta só seguir. Talvez o conteúdo dos seus tweets não seja tão importante, afinal. Talvez, o trabalho de separar o joio do trigo (ou definir o que é joio e o que é trigo) na twittosfera dificulte planos de monetização da ferramenta. Talvez, como bem disse Tessalia, o pesadelo de muitos early adopters se materialize e o Twitter realmente se transforme em um novo Orkut.

Quem quer arriscar mais previsões no olho do furacão?

Por Diego Maia | Temas: Internet | 41 comentários

27/03Não é preguiça, é falta de tempo 1: de Eduardo Coutinho ao Radiohead

Assisti hoje ao novo longa de Eduardo Coutinho, “Moscou”, em uma cabine do Festival É Tudo Verdade. Admiro o cineasta a ponto de ter feito de “Edifício Master” (2002) o tema do meu trabalho de conclusão de curso na graduação em Jornalismo. “Moscou” dá prosseguimento à investigação da mecânica da encenação que Coutinho começou – ou escancarou de vez – no maravilhoso “Jogo de Cena” (2007). Agora, em vez de encenar histórias de pessoas comuns, o diretor pega o texto clássico de “As Três Irmãs”, de Anton Tchecov, e o entrega ao Grupo Galpão de teatro. A meta é encenar a peça em um período de três semanas. Os olhos de Coutinho, mais uma vez, estão voltados para os ruídos dessa encenação (a equipe de filmagens não é ignorada em suas observações) e para a tensão criada entre as experiências pessoais dos atores (externadas em um exercício logo no começo do filme) e o texto de Tchecov.  Vira teatro filmado da metade pra frente, mas, dentro dos últimos trabalhos do cineasta, é uma sequência das mais naturais, lógicas e interessantes.

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Já viu o trailer de “Where the Wild Things Are” (ou “Onde os Monstros Estão”, no Brasil), novo filme de Spike Jonze?

É baseado num livro infantil americano, daqueles cheios de ilustrações, publicado em 1963. Jonze se uniu a Dave Eggers para escrever o roteiro e chamou o Lance Acord (”Maria Antonieta”, “Encontros e Desencontros”) para dirigir a fotografia. Eggers, vocês sabem, é aquele mala que fundou a finada revista “Might” e publicou uma (mais ou menos) autobiografia chamada “Uma Comovente Obra de Espantoso Talento” em 2000. Ganhou elogios de meio mundo, mas não conseguiu me comover com tanta autocomiseração. A prévia, ainda assim, é muito bonita e empolgante como um trailer deve ser. E usar “Wake Up”, do Arcade Fire, como trilha de fundo foi lance de gênio.

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Just a Fest São Paulo. Então. Meio tarde para comentar os shows, mas algumas impressões rápidas: 1) Los Hermanos: que esperassem mais dois anos para um retorno mais quente e com membros mais interessados no ofício. Deu pra berrar e se emocionar com “Último Romance”, mas Marcelo Camelo não conseguia disfaçar o incômodo (mal aí se gritei alto demais, Marcelo). Dizem que a banda levou uns R$ 250 mil pela apresentação – dinheiro mais fácil do século. Assisti com pessoas queridas, com quem eu ouvia a banda quando tinha uns 18, 19 anos, o que deu sabor menos amargo à coisa. 2) Kraftwerk: primeira vez que os vejo ao vivo. A Chácara do Jockey parecia grande demais para os quatro, mas foi bom assistir ao show antes que ele vire peça de museu (não falta muito, creio).  3) Radiohead: 30 mil pessoas em silêncio esperando “Exit Music”. 30 mil pessoas querendo mais “Paranoid Android”. 30 mil pessoas acompanhando os grunhidos de Thom Yorke na esquizofrênica “Idioteque”. Banda voltando feliz para um terceiro bis.  Acho que testemunhei um marco geracional. E, pela primeira vez, não me sinto culpado por utilizar tantos superlativos. (Para uma análise aprofundada, clique aqui. Para uma crítica contundente à organização porca do festival, aqui)

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Jonas Brothers. Bonzinhos, cristãos, virgens, inofensivos. Censura dos shows no Brasil: 14 anos. Oasis. Beberrões, cocainômanos, brigões, blasfemos. Censura dos shows no Brasil: 12 anos. Alguém entende?

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Entrevistei Marcelo Tas, apresentador do “CQC” para o Abril.com. Propus falar apenas sobre o Twitter e ele topou. Tas é um dos primeiros brasileiros a ser pago para twittar, promovendo o XTreme, serviço de banda larga via fibra óptica da Telefônica. Por conta disso, o cara foi bastante atacado por lá. Para ele, as reações são “… uma conversa de cachorro magro, de complexo de inferioridade, de quem não convive com a possibilidade do sucesso”. Desconfio que os ataques têm mais a ver com a péssima reputação da Telefônica do que com o pioneirismo da situação, mas vale ler o que ele tem para dizer antes de sair mostrando toda sua revolta dando unfollow por aí.

Por Diego Maia | Temas: AleatóriasCinemaInternetMúsica | 5 comentários

19/03Oi Thom, você por aqui?

But I’m a creep

I’m a weirdo

What the hell am I doing here?

I don’t belong here

Faltam só três dias para um dos shows mais aguardados por mim desde sempre. Espero que Thom Yorke seja mais legal comigo no domingo do que fui com ele neste post.

(sugestão da Karen)

Por Diego Maia | Temas: Música | 3 comentários

24/02Milk – sem voz para a igualdade

 

O pastor evangélico e dublador profissional Marco Ribeiro se recusou a dublar Sean Penn em “Milk – A Voz da Igualdade” alegando que “não teve vontade” porque “tem a voz envolvida com outras questões”. O caso foi noticiado pela Folha de S. Paulo de ontem.

A esta altura, todo mundo imagina o porquê. Harvey Milk, personagem que rendeu o segundo Oscar de Penn, é um dos baluartes do movimento GLBT norte-americano. Foi o primeiro homem assumidamente gay a ser eleito para um cargo político nos Estados Unidos, ainda na década de 70.

A igreja Assembléia de Deus, da qual Marco Ribeiro é pastor, critica a homossexualidade como muitas outras igrejas pentecostais. A reportagem da Folha sugere que Ribeiro teria recusado o papel para, basicamente, não arranjar mais confusão com a igreja. Marlene Costa, diretora de dublagem, disse ao jornal:

“Primeiro ele aceitou, depois viu o que era o filme e achou melhor não fazer para não ter aborrecimento. Pediu-me mil desculpas, expôs os pontos de vista dele. Não é que [Ribeiro] tenha algo contra homossexuais, é que as pessoas ao seu redor confundem sua profissão de ator com o lado religioso”

De fato, Ribeiro deve ter provocado o aborrecimento de boa parte da Assembleia com os personagens que já dublou. Vejamos alguns:

 

Stanley Ipkiss, o Máskara (Jim Carrey) – deus pagão propagador do caos

 

Willie Stark (Sean Penn) – político corrupto de “A Grande Ilusão”

 

Austin Powers (Mike Meyers) – agente secreto e fornicador

No Twitter, cheguei a pensar que ele havia dublado Sean Penn em “Sobre Meninos e Lobos”, mas me enganei.

Mesmo assim, Ribeiro tem um currículo polêmico e tanto (para um pastor pentecostal). Uma lista mais completa, e admirável, dos trabalhos dele pode ser encontrada aqui.

Diante desses personagens, é fácil entender a recusa de Ribeiro: dublar um ativista gay poderia ser visto, dentro da lógica de sua comunidade, como outra provocação, outro papel condenável, a cereja do bolo amassado pelo diabo.

Mas por que o dublador resolveu recusar um papel só agora, em “Milk”?

Voltemos ao filme. Como supervisor eleito em San Francisco, Harvey Milk conseguiu aprovar leis que garantiam direitos civis a homossexuais e chegou a estender sua área de atuação para fora da cidade, usando suas alianças políticas para combater o movimento conservador empreendido pela cantora cristã Anita Bryant. Entre outras coisas, Anita defendia a aprovação de uma lei que expulsaria professores gays dos colégios públicos norte-americanos. Não muito diferente da caça às bruxas promovida por Joseph McCarthy contra comunistas.

O longa de Gus Van Sant pinta o protagonista com tintas messiânicas. Além de visto como um brilhante orador e articulador de alianças pró-gays, ele também é retratado (não sem alguma redundância) como salvador da vida de jovens homossexuais por todo o país. É assassinado de forma covarde e, inevitavelmente, torna-se mártir para todo aquele povo.

Anita, por sua vez, é a antagonista, chegando ao público como uma vilã – talvez a maior das combatidas pelo personagem no filme. Ela fala em Deus e na Bíblia toda vez que tenta defender seu ponto de vista. As imagens da cantora são todas de arquivo, o que, além de provar que aquelas sandices realmente vieram da boca da mulher, dão a ela uma aura inatingível, superior (Milk nunca a encontra cara-a-cara). Anita é a “força do mal” mais poderosa do filme. A vitória do político na batalha contra a lei proposta por ela é o clímax do longa.

E, se você tem mais de dois neurônios, já sacou faz tempo de que lado a igreja de Ribeiro estaria se estivesse no meio dessa batalha.

Uma explicação para a pergunta que fiz anteriormente seria essa: em “Milk”, Ribeiro, mais do que dublar um homossexual, dublaria um personagem “bom” que enfrenta uma “vilã” que segue os mesmos preceitos que ele. A mesma reportagem da Folha de S. Paulo diz que, no site da Assembléia, Ribeiro se pronunciou contra “‘famílias modernas’ em que não há a figura do pai ou da mãe, ou em que essas figuras são substituídas por casais do mesmo sexo… isto não é modernidade, e sim uma distorção do que Deus disse sobre o que deveria ser a família”.

É de se imaginar que participar de um filme (mesmo que apenas como dublador) que critica cristãos de maneira tão direta causaria uma dor de cabeça fenomenal ao pastor. Seria, acima de tudo, uma grande incoerência.

But the plot thickens.

Leia a lista com atenção e perceba que um ataque ao núcleo da fé cristã não pareceu ser um problema para que Ribeiro dublasse Robert Langdon (Tom Hanks) em “O Código da Vinci” (2003), como aconteceu. Na trama, Langdon basicamente descobre que o livro que guia a vida do pastor e de seu rebanho está recheado de mentiras.

À época, cristãos do mundo todo se voltaram contra Dan Brown, o autor do livro em que o filme é baseado, propondo boicote às obras. Não seria errado dizer que “O Código Da Vinci” ataca ideais de católicos e evangélicos com mais veemência que “Milk”.

(A informação de que Ribeiro dublou Hanks no longa consta em diversos outros sites. Uma rápida busca no Google a confirma)

Com isso, volto à pergunta anterior: se um herege como Langdon não foi um problema, porque um ativista homossexual o seria?

Queria muito saber em quais outras questões Ribeiro “envolveu sua voz” para aceitar dublar um pesquisador herege em 2003 e recusar um ativista gay em 2009.

Marco Ribeiro é um dublador muito competente e respeitadíssimo no meio. Até agora, parecia comprometido com todos seus personagens. Talvez, ao longo desses anos, ele realmente tenha sido aporrinhado por fiéis e finalmente se cansado da perseguição que sofreu por dublar figuras tão “polêmicas”.

Ou talvez, para um pastor evangélico, defender um homossexual orgulhoso, feliz e combativo seja ofensa maior que dublar um pesquisador que desautoriza sua fé.

A lógica desta última hipótese parece torta, mas a guerra empreendida por cristãos contra homossexuais sempre foi regida desta maneira. A razão nunca teve espaço em uma luta movida pela fé.

Anita Bryant e seus discursos frágeis e risíveis que o digam.

Por Diego Maia | Temas: AleatóriasCinema | 7 comentários

23/02Oscar 2009 – um balanço pretensioso

17 acertos em 21 apostas – nunca fui tão bem de palpites sobre vencedores do Oscar.

Fui traído pela certeza da vitória de Mickey Rourke, subestimei o poder de “Milionário” em mixagem de som, superestimei o roteiro original de “Na Mira do Chefe” e, como o mundo todo, errei o filme em língua estrangeira. Acertei filme, direção, ator coadjuvante, atriz, atriz coadjuvante, longa de animação, roteiro adaptado, direção de arte, fotografia, figurino, documentário – longa, montagem, maquiagem, trilha sonora, canção, edição de som e efeitos especiais.

Não que eu tenha estudado a fundo os candidatos e acompanhado de perto outras premiações. A resposta é mais simples, como observou o Chico: o Oscar 2009 foi absolutamente previsível na revelação dos vencedores. Só me peguei esboçando uma reação – qualquer reação – quando os japoneses subiram ao palco e, principalmente, quando Sean Penn venceu. Isso porque eu torcia por Rourke, mas sempre soube que Harvey Milk tinha tantas chances de vitória quanto Randy The Ram.

Esta deve ser a décima quinta cerimônia do Oscar que acompanho até o fim. Não chegou a ser a mais previsível de todas (alguém NÃO se lembra da chatice que foi ver “Titanic”  ganhar absolutamente tudo em 1998?), nem a mais entediante. Mas foi, com boa dose de certeza, a mais diferente.

Foram anos seguidos de queda de audiência até a Academia notar que a trinca piadinhas-discursos-canções havia se transformado em um dos soníferos mais eficazes da TV. Em 2009, a força-tarefa montada para alavancar os índices incluiu a escalação de um galã simpático (Hugh Jackman), mudanças no velho esquema de apresentação dos indicados, aposta no humor “de grife” e juvenil e mistério, muito mistério.

Numa tentativa de forçar os espectadores a ligarem a TV, agências de imagem, a pedido da Academia, embargaram fotos da cerimônia até o fim da premiação. Nenhum portal pôde publicar fotografias do interior do Kodak Theatre até Hugh Jackman dar tchau. Dentro da mesma proposta de obrigar o espectador a acompanhar a festa inteira pela TV, poucos nomes de apresentadores foram revelados. A ordem de entrada deles no palco continuou uma incógnita até o começo do show. Se a sua priminha fã de “Crepúsculo” quisesse ver Robert Pattinson, teria de engolir umas boas duas horas de cerimônia.

No humor, mais mudanças. Jackman fez poucas piadas e concentrou-se em seus números musicais – o único bem sacado, ainda que inofensivo, foi o da abertura, com versões “pobres” dos longas indicados. Já a homenagem aos musicais de Hollywood comandada por Baz Luhrmann nos fez lembrar que o Oscar, mesmo quando um tiquinho diferente, continua a ser o Oscar.

Judd Apatow, provavelmente o principal nome da comédia americana hoje, expandiu sua grife com um segmento estrelado por Seth Rogen e James Franco. Nada memorável, mas o mais próximo que o um quadro do Oscar chegará um dia de uma esquete do MTV Movie Awards (os personagens de Rogen e Franco estavam emaconhados, lembre-se).

A MTV, aliás, parece ter sido descoberta pelos produtores com uns 20 anos de atraso. Os clipes dos filmes de ação, comédia e romance exibidos ao longo da festa tiveram Coldplay e The Hives como trilha sonora e uma montagem com cara de ter sido realizada por algum ex-estagiário da ex-emissora musical.

Pra mim, a novidade mais interessante foi a introdução de “padrinhos” e “madrinhas” nas categorias de atuação. A apresentação personalizada de cada um dos indicados alongou a cerimônia, mas permitiu que nomes como Shirley MacLaine e Joel Grey ressurgissem do lugar a que foram relegados depois de terem levado o carequinha dourado para casa. Ver a veterana MacLaine arrancar lágrimas da jovenzinha Anne Hathaway valeu a noite.

As mudanças, pelo visto, surtiram efeito: segundo a Variety, a audiência da festa deste ano subiu 6% em relação à do ano passado, quando os índices de televisores ligados na cerimônia bateram recordes negativos.

***

Ah, sim: a lavada de “Quem Quer Ser Um Milionário?” – oito estatuetas em dez indicações – tem sido interpretada como um sinal de boas-vindas que a meca do cinema dá à Bollywood, prima pobre e ainda mais prolífica. Não discordo. Mas, se Hollywood é amiga, é daquelas que só aparecem quando “precisam de uma forcinha”. Em tempos de recessão, o magérrimo modelo de negócios do cinema indiano – produções baratas, audiência duas vezes maior – parece atraente demais para uma indústria obesa, atolada em produções caríssimas e desesperada com a pirataria.

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Last, but not least: Ben Stiller tirando um sarro do sarrista Joaquin Phoenix foi engraçado, mas culhões pra sacanear Christian “Fucking” Bale ninguém teve, né?

Por Diego Maia | Temas: Cinema | 4 comentários

22/02Apostas para o Oscar 2009 (que é hoje!)

O esquindô tem jogado o Oscar para escanteio este ano (esquecimento até merecido, se pensarmos em quão chata a cerimônia tem sido nos últimos anos).

Mas, para hoje, os organizadores prometem uma festa mais enxuta, dinâmica e engraçada. Reservaram apenas três minutos para a apresentação de todas as músicas, o que é bom sinal.

Vou cobrir tudo ao vivo para o Abril.com a partir das 21h, mas deixo minhas apostas registradas aqui.

Melhor filme
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Milk”, pra vingar “Brokeback Mountain”

Melhor direção
Ganha: Danny Boyle – “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: Gus Van Sant – “Milk”

Melhor ator
Ganha: Mickey Rourke – “O Lutador”
Merecia: Eu só ficaria satisfeito com um empate triplo: Rourke, Sean Penn e Frank Langella.

Melhor ator coadjuvante
Ganha: Heath Ledger – “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Merecia: Heath e Downey Jr “negão”.

Melhor atriz

Ganha: Kate Winslet – “O Leitor”
Merecia: Kate Winslet.
Dêem um Oscar antes que ela chore: Kate Winslet

Melhor atriz coadjuvante
Ganha: Penélope Cruz – “Vicky Cristina Barcelona”
Merecia: Penélope, Marisa Tomei ou Viola Davis, a única ponta de dignidade em “Dúvida”.

Melhor longa de animação
Ganha: “Wall-E”, mas “Kung Fu Panda” pode surpreender
Merecia: “Wall-E”
Me irritaria: “Kung Fu Panda”

Melhor roteiro adaptado
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Frost/Nixon”

Melhor roteiro original
Ganha: “Na Mira do Chefe”
Merecia: “Milk”

Melhor filme em língua estrangeira
Ganha: “Valsa com Bashir”, de Israel.
Merecia: whatever

Melhor direção de arte
Ganha: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Merecia: “A Troca”

Melhor fotografia
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “A Troca”
Quem foi o cego que esqueceu de: “Milk”?

Melhor figurino
Ganha: “A Duquesa”
Merecia: “Milk”

Melhor documentário – longa
Ganha: “Man on Wire”
Merecia: ih…

Melhor montagem:
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Milk” ou “Frost/Nixon”

Melhor maquiagem
Ganha: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Merecia: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Melhor trilha sonora
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?” – A.R. Rahman
Merecia: “Wall-E” ou “Milk”

Melhor canção
Ganha: “Jai Ho” – “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: entre os indicados, “O Saya” – “Quem Quer Ser um Milionário”. Mas esqueceram de tanta gente – Bruce Springsteen, pra começar – que quem se importa?

Melhor edição de som
Ganha: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Merecia:  “WALL-E”, mas “Cavaleiro das Trevas” também é uma escolha justa

Melhor mixagem de som
Ganha: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Merecia: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Melhores efeitos especiais
Ganha: “O Curioso Caso de Benjam- Button”
Merecia: “Homem de Ferro”

Por Diego Maia | Temas: Cinema | Comente